Após ser adiado no final de agosto, está marcado para as 8h desta quinta-feira (22) o júri popular de Arno Cabral Filho, acusado de matar três pessoas da mesma família em Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis.
Familiares e amigos da família assassinada aguardam com ansiedade o julgamento do acusado e pedem por justiça. “Esperamos que ele seja condenado. É o mínimo que pedimos”, disse a filha do casal, Ana Paula Matthes Tuneu, de 31 anos.
Na foto, Loraci Matthes, 50 anos, o filho Mateo Teneu, 8 anos, e Carlos Alberto Tuneu, 67 anos – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDA sessão foi remarcada por uma recomendação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que estendeu a suspensão dos júris em Santa Catarina. A norma visava evitar a propagação da Covid-19 no Estado.
SeguirTambém por conta da pandemia, o júri será realizado dentro da Escola de Ensino Médio Valmir Marques Nunes, na cidade de Bom Retiro. De acordo com o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), não será permitida a presença do público e da imprensa no local.
Preso desde 9 de agosto de 2019 no Presídio Regional de Lages, na Serra catarinense, Arno é acusado de matar Carlos Alberto Tuneu – o Argentino -, de 67 anos, a esposa dele Loraci Matthes, 50, e o filho do casal, Mateo Tuneu, 8, com uma barra de ferro. Ele nega a autoria do crime.
Acusação
Além do triplo homicídio, o Ministério Público incluiu cinco qualificadoras no pedido de indiciamento.
“A peça aponta que os delitos foram cometidos por motivo fútil, visto que o denunciado era conhecido das vítimas e tinha desavenças com o casal em decorrência de uma dívida”, destaca o MP.
A acusação também atribui as qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas. No pedido de acusação enviado para o Judiciário, o MP acrescentou que “por duas vezes o acusado agiu de forma a assegurar a impunidade de outros crimes”.
Além disso, uma vítima tinha menos de 14 anos, e outra mais de 60 anos de idade. O caso segue em segredo de Justiça.
Pedido de justiça
Nos dias que antecedem o julgamento, familiares e amigos da família assassinada se mobilizam através de fotos e cartazes com os dizeres “Justiça por Mateo, Lora e Carlos”.
O protesto reúne mais de 50 pessoas de cidades do Paraná, Rio de Janeiro e da Argentina, além de moradores do município de Alfredo Wagner, onde o crime aconteceu.
Amigos e familiares se mobilizaram pedindo por Justiça – Foto: Arquivo pessoal/NDMemórias da família
A filha do casal diz que a expectativa é que Arno seja julgado e condenado pela morte dos pais e do irmão caçula. “Foi uma decepção o julgamento ter sido adiado no dia anterior. O que nos deixa tranquilos é o fato de ele estar preso”.
Na memória, Ana Paula guarda lembranças dos familiares. Ela conta que o pai colecionava trens em escala e que nos últimos anos, estava dedicado ao hobby. Da mãe, ela diz sentir falta, principalmente, dos conselhos e da energia.
“Ela não parava quieta. Trabalhava o dia todo com as vacas e com os cavalos. Sempre rodeada de cachorros. Conversávamos muito por vídeo e WhatsApp. Ela perguntava muito dos netinhos”, relembra.
Ana Paula diz que o irmãozinho a telefonava com frequência para contar sobre as tarefas e a rotina na escola. “É bastante complicado lembrar deles porque dói muito”, disse, emocionada.
A filha do casal, que morava no Rio de Janeiro na época do crime, reside hoje na propriedade da família em Alfredo Wagner.
Crime chocou Santa Catarina
O crime que chocou a pequena cidade de 6,5 mil habitantes aconteceu no dia 9 de agosto de 2019. Segundo as investigações, as mortes ocorreram por conta de uma dívida de cabeça de gado.
Um dia antes do crime, o comerciante que devia para a família teria ido até a fazenda de Tuneu, onde ocorreu uma discussão. Na volta para a cidade, Arno registrou um boletim de ocorrência contra o argentino. Segundo o B.O., Tuneu teria ameaçado o comerciante para que pagasse a dívida.
Peritos averiguaram a propriedade das vítimas localizada em Alfredo Wagner – Foto: Anderson Coelho/NDA chacina ocorreu no dia seguinte, quando o comerciante teria voltado à casa e discutido com Loraci. Conforme a polícia, Arno queria eliminar os papéis que comprovavam a dívida.
No inquérito entregue ao MP, a Polícia Civil indicou que a mulher do argentino resistiu em entregar os documentos, o que teria motivado a primeira morte. O filho do casal pode ter sido morto por testemunhar o assassinato da mãe.
Arno teria se deparado com Argentino quando saía da fazenda, então cometeu o terceiro homicídio. A digital do comerciante foi encontrada na caminhonete da vítima.
Contraponto
Por meio de nota encaminhada ao ND+ na tarde desta quinta-feira (21), a defesa do acusado reforçou que Arno aguarda julgamento há mais de 12 meses, mesmo sempre tendo negado a autoria do crime.
A defesa, composta pelos advogados Bruno Ribeiro da Silva, Diego Rossi Moretti e Jonas de Oliveira, também reafirmou a convicção na inocência do cliente.
Confira a nota na íntegra:
A defesa de Arno Cabral Filho, promovida pelo escritório ROR-Advocacia
Criminal, com sede em Santa Catarina, informa que a sessão do júri finalmente ocorrerá amanhã (22), após sucessivos cancelamentos.
Arno aguarda julgamento há mais de 12 meses preso no Presidio Masculino de Lages, mesmo sempre negando a autoria do crime.
Durante a instrução do processo, a inocência de Arno Cabral ficou evidente.
Houve a juntada de laudos periciais do IGP afirmando a ausência de sangue nas vestimentas, nos sapatos e no carro de Arno.
Ainda, durante a audiência de instrução e julgamento, o Ministério Público solicitou a instauração de inquérito visando investigar a conduta dos policiais envolvidos na prisão de Arno.
O Ministério Público, também, deixou de ouvir testemunhas que
supostamente teriam visto Arno na cena do crime, sendo que durante a instrução ficou provado que no horário do crime, Arno Cabral estava em local diverso. O promotor de justiça que era responsável pela denúncia, deixou de atuar no procedimento e mudou-se de comarca.
Por fim, a defesa indicou outros três suspeitos que poderiam ter participação no crime, um deles, inclusive, havia agredido uma das vítimas do triplo homicídio a pauladas, algumas semanas antes de sua morte.
Com tudo isso e as demais provas testemunhais e documentais que serão
apresentadas por ocasião do júri, a defesa reafirma a convicção na inocência de Arno Cabral Filho, batalhando pela sua absolvição.”