Acusado de matar e atear fogo na companheira vai a júri popular em Florianópolis

Homem garante que agiu em legítima defesa e que queimou o corpo porque o sonho da mulher era ser cremada e jogada em meio à natureza

Bruna Stroisch Florianópolis

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Um homem acusado de assassinar a companheira, atear fogo ao corpo e ocultar as cinzas em um matagal, nas proximidades da casa do casal, em Florianópolis, vai enfrentar o Tribunal do Júri.

Homem acusado de matar Daniela Almeida Pereira vai enfrentar juri popular – Foto: Reprodução/Arquivo PessoalHomem acusado de matar Daniela Almeida Pereira vai enfrentar juri popular – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

A decisão partiu da 3ª Câmara Criminal do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), que negou recurso interposto pelo réu. Ainda não há data marcada para a sessão.

O crime ocorreu na noite de 15 de abril de 2019, no Ribeirão da Ilha, no Sul da Ilha de Santa Catarina.Segundo a denúncia do Ministério Público, após matar Daniela Almeida Pereira, de 36 anos, o acusado ateou fogo ao corpo e ocultou as cinzas em um matagal próximo ao sítio onde moravam.

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Ainda de acordo com o MP, ele fez isso porque não se conformava com o término do relacionamento, iniciado no começo daquele ano, quando passaram a morar sob o mesmo teto.

Desejo de ser cremada

A versão do acusado, entretanto, é totalmente diferente. Ele garante que agiu em legítima defesa e que não tinha intenção de matar. O homem reconheceu que houve uma discussão e que a mulher o agrediu verbal e fisicamente.

Ao passar pelo portão da residência onde viviam, ele retornou para fechá-lo e foi novamente agredido pela companheira. Nesse momento, então, ele empurrou a mulher, que caiu e bateu com a cabeça numa pedra.

O acusado não ligou para a emergência médica nem para a polícia. Resolveu queimar o corpo porque, segundo ele, o sonho dela era ser cremada e jogada em meio à natureza. O homem só registrou o desaparecimento três dias depois.

O desembargador Júlio César Machado Ferreira de Melo, relator da matéria, se baseou em decisões e interpretações das leis feitas pelos tribunais superiores para posicionar-se favorável ao julgamento do caso em sessão do júri.

Relembre o caso

O corpo de Daniela Almeida Pereira foi encontrado no dia 8 de maio de 2019. A ossada estava enterrada em uma localidade conhecida como Caieira da Barra do Sul, próximo à rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis.

O labrador Hunter, do Corpo de Bombeiros, seguiu os últimos rastros da vítima e conseguiu detectar os odores resultantes da decomposição do corpo.

O local foi indicado pelo próprio companheiro dela, que confessou o crime. Daniela havia sido vista pela última vez no dia 15 de abril ao descer de um ônibus à noite na região onde morava.

Equipes fazendo buscas por Daniela Almeida Pereira – Foto: Reprodução/NDEquipes fazendo buscas por Daniela Almeida Pereira – Foto: Reprodução/ND

Segundo apuração da polícia, o casal morava junto há três meses e as brigas eram constantes. Já havia inclusive registro de boletim de ocorrência por “vias de fato”. O inquérito policial tratou o caso como feminicídio.

A mulher era natural de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, e trabalhava como atendente na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Sul da Ilha.

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