O acusado de matar Juliana Grasiela Pinheiro Wirth, em Guaramirim, foi denunciado por feminicídio pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). O caso aconteceu no dia 24 de maio e, após assassinar Juliana a facadas, Gilberto Ludvichak voltou ao local do crime e filmou o corpo da vítima para enviar à ex-companheira.
Acusado de matar e filmar corpo de mulher em Guaramirim é denunciado por feminicídio pelo MPSC – Foto: Divulgação/NDSegundo o MPSC, Gilberto esfaqueou a vítima por acreditar que ela teria feito uma acusação contra ele e a ex-namorada por maus-tratos contra a filha menor de idade. No entanto, a delegada Roberta França confirmou que a vítima não realizou nenhuma denúncia contra o casal.
De acordo com a ação da 1ª Promotoria de Justiça, o homem foi denunciado por homicídio com quatro qualificadoras: motivo torpe, dissimulação, para assegurar a impunidade de outro crime e feminicídio.
SeguirO promotor de Justiça Wesley da Silva salientou que “o homicídio foi praticado contra Juliana por razões da condição de sexo feminino” e que “ele também teria se aproveitado da vulnerabilidade da vítima para a concretização de seu ato criminoso.”
O promotor ainda explicou que, além do motivo torpe, o crime também foi cometido para garantir a impunidade de outros delitos. “Acreditou que, assim, ela não poderia testemunhar sobre outros os fatos que envolvem violência de gênero, pelos quais está sendo investigado”, ressaltou.
Relembre o crime
O caso aconteceu na madrugada de 24 de maio, na casa onde Juliana morava com o filho de dois anos. A ex-namorada de Gilberto era a dona do imóvel alugado pela família no bairro Nova Esperança, em Guaramirim.
Após a suspeita de que a vítima havia denunciado o casal, o acusado disse à ex-companheira que iria “fazer um negócio” e “acabar logo com esses problemas”.
Segundo a investigação, Juliana e o filho estavam dormindo no momento em que Gilberto chegou ao local. O homem de 44 anos golpeou a mulher com facadas no peito enquanto ela ainda dormia ao lado da criança.
Réu filmou corpo da vítima
Após o crime, Gilberto deixou o local e informou à namorada que havia “resolvido a situação”. Segundo a investigação, ela não acreditou na versão dele.
O homem, então, retornou ao local do crime e filmou a vítima morta, além de arrumar a criança na cama e dar comida. Ao ver a gravação, a namorada passou mal e foi encaminhada para o hospital, onde a polícia foi acionada.
Segundo o MPSC, no vídeo a criança aparece acordada ao lado do corpo e nitidamente assustada.
A ação penal pública contra Gilberto foi ajuizada em 6 de junho de 2024 e recebida pela Justiça no mesmo dia. O MPSC ainda solicitou que o réu seja julgado em júri popular no Tribunal do Júri da Comarca de Guaramirim.
Acusado já foi condenado por matar outra mulher
Gilberto foi condenado a mais de 18 anos pela morte de uma adolescente na mesma cidade do Norte catarinense. Claudiane Salla Belarmino, de 15 anos, foi morta em um motel e teve o corpo queimado e ocultado pelo suspeito.
O crime ocorreu em 2014 e o denunciado estava em regime aberto desde 6 de maio de 2024. A 2ª Vara Criminal da comarca de Jaraguá do Sul esclareceu ao ND Mais sobre a decisão que colocou Gilberto em regime aberto.
“Dentro do que determina o artigo 112 da Lei de Execução Penal, todos os requisitos legais para a progressão do réu ao regime aberto já haviam sido cumpridos no dia 25 de março de 2024, de modo que a soltura do apenado foi o cumprimento do que determina a lei, sob pena de o próprio magistrado responder por abuso de autoridade”, diz a nota.
Ainda segundo a 2ª Vara Criminal, a decisão também foi tomada com base em parecer favorável do MPSC.