A justiça de Araquari aceitou o pedido do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) para a abertura de um inquérito policial contra os pais do menino Jonatas. Eles são suspeitos de praticar os crimes de desobediência e apropriação indébita.
O pedido foi solicitado após o casal não devolver à conta judicial da campanha o valor aproximado de R$ 16 mil, liberado em maio para cobrir os gastos com o tratamento da criança.
Pais não devolveram o valor para a conta judicial da campanha – Reprodução RICTVRenato e Aline Openkoski chegaram a apresentar notas fiscais com o intuito de comprovar as despesas. Mas, segundo a justiça, o dinheiro deveria ser usado somente para o tratamento do menino, o que não teria acontecido já que as notas incluíam, por exemplo, gastos com combustível.
SeguirDe acordo com a juíza Cristina Paul Cunha Bogo, responsável pelo caso, os pais foram notificados por meio de carta sobre a necessidade da devolução do dinheiro para a conta judicial. Porém não houve manifestação por parte dos genitores.
Uma das principais reclamações dos pais nas redes sociais é em relação ao tratamento médico e o pagamento de fisioterapeutas e enfermeiras que cuidam de Jonatas. Porém, a juíza afirmou que eles recebem o salário em suas próprias contas, mediante pedido do MP.
Para isso, a magistrada reforçou que não há necessidade de contratar advogados. Basta os profissionais apresentarem os documentos que comprovem a realização dos serviços no gabinete da Promotoria de Araquari.
Pais se manifestam nas redes sociais
Por meio do perfil da campanha no Instagram, os pais de Jonatas se manifestaram a respeito da abertura do inquérito. Na publicação, o casal afirma que só “queremos dar uma vida plena, digna ao Jonzinho (sic) que já sofre tanto com a doença”.
Segundo eles, a justiça estaria “nem aí” a respeito do caso e que a “desobediência” descrita como um dos crimes apontados pelo documento é “por querer salvar a vida do nosso filho?”
Pais se manifestaram nas redes sociais sobre a abertura do inquérito – InternetA reportagem do ND+ tentou entrar em contato com os advogados de defesa do casal, mas não obteve retorno.
Relembre o caso
Jonatas foi diagnosticado com AME (Atrofia Muscular Espinhal) em março de 2017. O tratamento é feito com medicamento importado dos Estados Unidos, no valor total de R$ 3 milhões.
Como não tinham condições de arcar com as despesas, os pais lançaram a campanha que teve repercussão nacional.
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Em maio de 2017, o casal anunciou nas redes sociais que havia conseguido o valor, mas continuaria a arrecadação para poder cobrir gastos com os equipamentos que mantinham o menino vivo em casa.
Segundo o MPSC, Renato e Aline são acusados de se apropriarem de mais de R$ 200 mil das arrecadações. Com o dinheiro, eles teriam comprado celulares, um faqueiro, roupas, sapatos e joias. Além disso, teriam adquirido um carro no valor de R$ 140 mil e pago uma viagem para Fernando de Noronha, que custou R$ 7.883,12