A história do menino Jonatas Openkoski, portador de AME (Atrofia Muscular Espinhal), comoveu Joinville e todo o Brasil. O tratamento realizado pela criança era milionário, por isso, os pais Renato e Aline decidiram iniciar a campanha Ame Jonatas. Mas a mobilização logo se tornou o motivo da prisão do casal, realizada nesta quarta-feira (22).
Condenados em 2022, pais foram presos nesta quarta-feira (22) por desviar dinheiro da campanha AME Jonatas – Foto: Reprodução/NDDiagnosticado com AME em março de 2017, o menino Jonatas precisou iniciar um tratamento especial com a vacina Spinraza. Na época, a medicação não era disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e precisava ser importada dos Estados Unidos. O custo estimado da vacina era de R$ 3 milhões.
A campanha para ajudar o menino atingiu o valor pretendido poucos meses depois, após grande comoção e apoio de pessoas famosas. Entretanto, Renato e Aline anunciaram que continuariam a arrecadação para cobrir os gastos com os equipamentos que mantinham o menino vivo em casa.
SeguirUso do dinheiro para bens materiais e viagens
Ainda em 2017, iniciou a investigação para apurar os gastos realizados com o dinheiro da campanha. A polícia concluiu que a verba arrecadada servia para compra de bens e serviços que se destinavam ao bem-estar do casal e familiares, não ao tratamento de Jonatas.
De acordo com a delegada Geórgia Bastos, responsável pelo caso na época das investigações, a polícia conseguiu levantar provas suficientes para “concluir que, de fato, o casal praticou a conduta do estelionato e da apropriação indébita, crime previsto no estatuto da pessoa com deficiência.”
Vida de luxo
Os pais apresentavam uma vida de luxo na internet, com viagens e bens materiais. Em 2018, o casal deixou a criança com familiares e viajou a Fernando de Noronha para celebrar a virada de ano.
Casal da campanha Ame Jonatas viajou a Fernando de Noronha – Foto: Reprodução/NDNo mesmo ano, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na casa da família. Foi apreendido um carro avaliado em R$ 140 mil, uma moto, violão autografado por um cantor sertanejo, camisas de futebol e bens como perfumes, celulares, joias e documentos.
A Justiça ainda bloqueou, de forma liminar, os valores levantados pela campanha.
MPSC denunciou pais por desvio da campanha AME Jonatas
Ainda em 2018, o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) apresentou uma denúncia contra Renato e Aline Openkoski. A condenação por estelionato e apropriação indébita veio apenas em 2022, com direito de recorrer em liberdade.
Inicialmente, Renato cumpriria 44 anos e 29 dias de reclusão, em regime fechado, e pagamento de 363 dias-multa. Enquanto Aline cumpriria 26 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão e 177 dias-multa.
A pena, porém, sofreu redução. Com a prisão do casal nesta quarta-feira (22), os condenados cumprirão, em conjunto, mais de 60 anos de prisão. Renato cumprirá 38 anos, 2 meses e 10 dias de reclusão; e Aline, 22 anos, 7 meses e 10 dias.
Além das penas, os réus foram condenados ao pagamento das custas processuais, assim como ao pagamento de indenização mínima no valor de R$ 178.176,25, que deverá ser remetido à vítima do crime de estelionato e à entidade social que atua nos cuidados e tratamento de crianças portadoras de AME.
Morte do menino Jonatas gerou comoção nacional
O menino Jonatas Openkoski morreu em 24 de janeiro de 2022, aos cinco anos de idade. A criança, que portava AME do tipo 1, sofreu uma parada cardíaca.
Na época, a família estava morando em Balneário Camboriú, e a despedida da criança foi realizada na cidade.
Candidatura às eleições de 2022
O pai de Jonatas, Renato Openkoski, aproveitou a comoção gerada pelo caso e se candidatou a deputado estadual nas eleições de 2022. Sob o nome “Renato Pai do AME Jonatas”, o homem recebeu apenas 183 votos e não conseguiu o cargo desejado.
Apenas 19 dias após o primeiro turno, Renato e a esposa foram condenados por apropriação indébita e crimes contra o patrimônio, acusados de desviar o dinheiro da campanha.
Pais foram presos escondidos em imóvel de Joinville
Há cerca de dois meses, a Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) Joinville foi acionada pelo Poder Judiciário para descobrir o paradeiro do casal da campanha Ame Jonatas.
Segundo o delegado Rodrigo Maciel, Renato e Aline mudaram de endereço por diversas vezes, mas, nesta quarta-feira (22), foram encontrados em um imóvel no bairro Morro do Meio, na cidade do Norte catarinense.
Ao ND Mais, o advogado Emanuel Stopassola, que representa o casal, disse que “será defendido o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e todos os meios de provas e recursos inerentes.”