A Maternidade Darcy Vargas, de Joinville, se manifestou sobre a troca de bebês que aconteceu na unidade na década de 1970. As famílias só descobriram o erro em 2017, após 42 anos do nascimento das crianças. O caso foi divulgado depois de uma das famílias ganhar uma indenização. Além do dano sofrido pela troca, um dos pais morreu ao descobrir o caso.
Maternidade Darcy Vargas, em Joinville – Foto: Paulo Goeth/Divulgação/Secom/NDApós repercussão, a Maternidade Darcy Vargas publicou uma nota para esclarecer como teria ocorrido a troca e como funciona o atendimento às famílias atualmente.
“O caso ocorrido há 42 anos se deu em outro contexto assistencial, quando os recém-nascidos eram levados ao berçário, e posteriormente levados à mãe”, diz a maternidade em nota.
SeguirDiferente do que ocorria na época, a unidade explica que, hoje, já ao nascer, o bebê é colocado em contato com a mãe (conhecido como “golden hour” ou hora dourada). “Um momento que promove a continuação do vínculo que começou durante a gestação e ajuda o bebê nesta transição do útero para o mundo”, explica.
Além disso, a maternidade destaca que a mãe tem o direito ao acompanhante em todo o momento do parto, desde sua entrada na unidade. Este acompanhante também observa os cuidados iniciais realizados com o recém-nascido, até que ele retorne ao colo da mãe.
Já os bebês que precisam ser colocados na UTI Neonatal, muitas vezes logo após o parto, recebem a identificação da mãe e podem ter acompanhamento dos pais durante todo o período de internação na UTI.
Sobre o processo judicial, a maternidade também informou que o conteúdo está sendo analisado pela PGE (Procuradoria Geral do Estado) e será respondido dentro do prazo legal.
Entenda o caso ocorrido na maternidade
A troca de bebês, ocorrida em 1975, veio à tona após o resultado do julgamento de uma indenização ser divulgado. O TJSC (Tribunal de Justiça) condenou a Maternidade Darcy Vargas, administrada pelo Governo de Santa Catarina, ao pagamento de R$ 300 mil para uma das famílias.
Conforme o TJSC, a família descobriu o erro da maternidade 42 anos após o parto. As crianças nasceram em 1975, mas o equívoco foi descoberto em 2017, quando uma mulher fez um teste de DNA e descobriu que não era filha biológica da família com quem cresceu. Ela procurou outras mulheres que deram à luz naquele mesmo dia e local. Posteriormente, comprovou o equívoco.
O caso envolveu duas mães e duas filhas. As bebês nasceram com apenas 10 minutos de diferença e foram entregues para as mães erradas. As duas famílias moveram processos contra a maternidade. Uma delas também pediu a reparação pela morte do pai, que sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) após receber a notícia.