Na próxima semana, a Aflov (Associação Florianopolitana de Voluntários) deixará de administrar o estacionamento de 180 vagas, na rua Francisco Tolentino, no Centro da Capital. Na semana passada, a juíza Marjôrie Freiberger, da 6ª Vara Federal de Florianópolis, determinou a expedição do mandado de reintegração de posse ao município. Após longa batalha judicial, o imóvel onde fica o estacionamento volta ao domínio da prefeitura.
Atualmente, pagamento só em dinheiro, se não, a Justiça toma os recursos por causa do passivo trabalhista e fiscal milionário da Aflov – Foto: Leo Munhoz/NDConforme a PGM (Procuradoria-Geral do Município), a retomada propriamente dita deve ocorrer entre segunda e terça-feira da próxima semana, a depender do oficial de Justiça. Na sequência, a prefeitura vai repassar o equipamento à Multipark, empresa que, em 2013, venceu a licitação para explorar os estacionamentos da cidade.
“A grande vantagem é que teremos o aferimento de 40% do lucro deles [da Multipark] no estacionamento. Também farão uma intervenção considerável na parte urbanística. Vão pintar, colocar novas chancelas”, afirmou o procurador geral do município, Ubiraci Farias.
Seguir“O município, enfim, faz Justiça e traz para a sua égide esse imóvel e esse equipamento público tão importante”, completou.
Atualmente, a Aflov tem 15 funcionários, a maior parte no estacionamento, que tem potencial de arrecadação superior a R$ 100 mil por mês. Conforme o administrador da associação, Aroldo Ouriques, a entidade ainda pleiteia que os trabalhadores recebam as rescisões do município. O poder público, por sua vez, não quer assumir a despesa, que se aproxima dos R$ 700 mil.
“O município não reconhece nenhum elo com a Aflov. Se tiver que pagar, pagamos apenas pela via judicial. Eles estão há muito tempo ali sem prestar nenhum tipo de conta”, frisou Farias. Segundo ele, uma das possibilidades é remanejar os funcionários para atuar pela Multipark na futura operação.
No coração de Florianópolis, local será reformado depois que a Multipark assumir a gestão – Foto: Leo Munhoz/NDRecentemente, a Multipark também acionou a Justiça para obter as vagas a que tinha direito após vencer a licitação para explorar os estacionamentos da Capital. Conforme a PGM, entretanto, a empresa retirou a ação após receber a oferta para operar o estacionamento hoje com a Aflov e outro na praia da Joaquina.
Consultada em junho pela reportagem, a Multipark se manifestou por nota alegando que o estacionamento ocupado pela Aflov “causa prejuízos à empresa, pelo fato de concorrer diretamente com outras áreas vizinhas, que fazem parte da concessão, representando perda de receita significativa para a empresa”.
A companhia relatou também que os munícipes estão prejudicados, pois “utilizam o estacionamento em situações precárias, sem seguro garagista, com vagas apertadas, fora do padrão estabelecido no Plano Diretor e no Código de Obras municipal, realizando pagamentos estritamente em dinheiro, sem as alternativas oferecidas em nossas operações com cartão de crédito e débito e outros meios de pagamento”.
Ubiraci Farias é o procurador do Município – Foto: Nícolas Horácio/NDA empresa reiterou que o estacionamento da rua Francisco Tolentino faz parte do contrato de concessão onerosa com Florianópolis, mas que ainda não recebeu a ordem de serviço, por causa do litígio possessório.
“A Multipark reitera estar à disposição para assumir a operação da referida área, realizando as melhorias previstas no contrato de concessão, e o repasse mensal de valores ao município a título de outorga”.
Fim da linha para a Aflov
Anunciado há mais de uma década, o fim da Aflov vai se concretizar neste ou no próximo ano. Conforme o administrador da entidade, na semana que vem será realizada uma reunião com os funcionários remanescentes para informar o fim das atividades.
“Os funcionários estão no desespero, pois vão perder o emprego. Vamos esperar eles executarem o mandado e sair. Antes, vamos pedir um tempo à prefeitura para tirar o que é nosso de lá, encerrar as atividades do estacionamento em nome da Aflov e devolver o imóvel. Acredito que na próxima semana já tenham o mandado em mãos”, reconheceu Ouriques.
No estacionamento, a entidade tem um sistema de câmeras, ar-condicionado e outras máquinas. O escritório, na rua Nunes Machado, será entregue em cerca de dois meses. Segundo Ouriques, a Aflov, sem recursos, ficará sem atividades.
Estacionamento tem 180 vagas em área nobre de Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND“Vamos manter as informações legais por mais uns 12 meses e faremos um balanço de encerramento das atividades. Posso encerrar as atividades, mas a empresa não, porque tem um passivo enorme, tanto trabalhista quanto fiscal, acima dos R$ 30 milhões”, lembrou Ouriques.
Empregado como gerente financeiro, depois designado administrador judicial, Ouriques foi eleito presidente por uma assembleia dos colaboradores em 2014.
Aroldo Ouriques é o administrador da Aflov – Foto: Nícolas Horácio/ND“A minha parte como gestor está aberta para qualquer um, a parte contábil, a parte legal, que procurei deixar da melhor forma, e a parte de tributo [INSS e FGTS dos funcionários] do meu período de gestão. Eventualmente, atrasamos o 13º dos funcionários, mas por questão de gestão de caixa. Tentei manter a empresa da melhor forma possível”, declarou Ouriques.