Armas não disparam sozinhas, afirma delegado em júri de Leonardo

Delegado Eliéser José Bertinotti, que investigou o caso, foi o primeiro a testemunhar em júri; Leonardo é acusado de ter matado Gabriella Custódio Silva com um tiro

Luana Amorim Joinville

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“Em anos na polícia, nunca vi uma arma disparar sozinha”. Esse foi um dos argumentos apresentados pelo delegado Eliéser José Bertinotti durante o julgamento de Leornado Natan Chaves Martins. O réu é acusado de matar com um tiro no peito a, então companheira, Gabriella Custódio Silva, em julho de 2019.

ND+ está acompanhando todos os detalhes de um dos júris mais polêmicos do ano direto do Fórum da Comarca de Joinville.

Delegado Eliéser, responsável pela investigação, foi o primeiro a ser ouvido – Foto: Luana Amorim/NDDelegado Eliéser, responsável pela investigação, foi o primeiro a ser ouvido – Foto: Luana Amorim/ND

O delegado, que foi o responsável pela investigação, detalhou como os fatos ocorreram durante o depoimento que durou mais de uma hora. Em sua fala, ele explicou como o caso chegou a delegacia e de que forma o inquérito foi conduzido.

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Além disso, em diversos momentos ele contestou a versão da defesa de que o tiro foi acidental. Segundo ele, a própria reconstituição do caso comprovou que “aquele disparo não é compatível com um mero toque”.

Outro fato, que até então não havia sido divulgado, é que em outubro de 2019, uma denúncia havia informado à polícia que a arma usada no crime estava “com outra pessoa”. Em depoimento, Leonardo havia dito que, após o crime, ele teria jogado a pistola no Canal do Linguado.

Apesar de buscas em relação a denúncia, a arma, de fato, nunca foi localizada.

“Comportamento de dissimulação [do réu]. Em nenhum momento ele mostrou a arma, não apresentou os celulares. Qual o problema de apresentar os celulares?”, disse em depoimento o delegado.

Já a defesa, em sua primeira pergunta, contestou a relação da qualificadora de feminicídio, já apresentada pela polícia um dia após o crime. O delegado enfatizou que as testemunhas protegidas informaram as mudanças de comportamento da vítima ao decorrer do relacionamento dos dois.

Porém, os advogados voltaram a questionar essa informação. Além disso, eles perguntaram se havia algum tipo de denúncia por violência doméstica contra o réu, o que também foi negado pelo delegado.

Outras sete testemunhas devem prestar depoimento. Compõem o júri seis homens e uma mulher. O júri teve início às 9h e a previsão é de que o julgamento ocorra até as 20h.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 23 de julho, no Distrito de Pirabeiraba, em Joinville. Após o disparo, Leonardo colocou o corpo da jovem no porta-malas do carro e a levou até o Hospital Bethesda. Gabriella já chegou morta na unidade.

Após deixar a namorada em cima de uma maca, Leonardo fugiu para São Francisco do Sul e, no caminho, teria jogado a arma usada no crime no Canal do Linguado.

Em depoimento ele alegou que o disparo foi acidental e teria ocorrido enquanto mostrava a arma para a companheira. A perícia, porém, identificou que a pistola foi apontada na direção da vítima por conta do trajeto do projétil e da marca na parede. Gabriella estava na casa dos sogros quando foi atingida.

Leonardo será julgado por homicídio qualificado por feminicídio e por usar recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

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