As provas que incriminam advogada de Joinville por fraude e dois homens por homicídio

Grupo ND teve acesso a documentos e provas que incriminam réus em processo de fraude processual e homicídio qualificado

Redação ND Joinville

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Após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público contra a advogada de Joinville Albani Lara Bergamini por fraude processual conexa com crime de homicídio e outros dois investigados – Cleberson Machado Pereira e Hugo Cezar de Paiva –por homicídio qualificado, o Grupo ND teve acessos às provas que incriminam os envolvidos.

fórum de joinvilleVara do Tribunal do Júri de Joinville recebeu a denúncia do MP, transformando os três denunciados em réus. – Foto: Carlos Junior/ND

Segundo denúncia do MP, Hugo Cezar de Paiva e Cleberson Machado Pereira estavam fazendo um racha na rua João Luiz de Miranda Coutinho, bairro Paranaguamirim, em Joinville, dia 30 de novembro de 2020 quando Hugo, que dirigia uma Mercedes Benz, atropelou Edenilson Schulze Souza, que estava atravessando a rua. O impacto foi tão forte que Edenilson não resistiu. Após o crime, Hugo e Cleberson fugiram do local sem prestar socorro.

A investigação

No 20 de agosto de 2021, houve busca e apreensão na casa de Hugo Cezar de Paiva, em Araquari, onde foram recolhidos o veículo Mercedes, um farol dianteiro, três celulares, cem munições, balança de precisão, um radio comunicador, entre outros objetos.

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Por determinação do promotor Ricardo Paladino, em 23 de agosto de 2021 uma notícia de fato foi aberta pelo Ministério Público para investigar o caso. E já no dia 30 de agosto foi aberto um inquérito policial.

Durante esse inquérito, muitas provas vieram à tona, como mostram os documentos abaixo. Por exemplo: em conversas no dia 3 de dezembro de 2020, Hugo relata ter atropelado uma pessoa com seu veículo, levando-a à morte. Em áudio enviado por Hugo no mesmo dia ele admitiu que estava rápido na via e que não conseguiu desviar.

Outras conversas extraídas do inquérito:

provas que incriminam réus

Após o acidente, em conversa por whatsapp com a advogada Albani Lara Bergamini, Hugo pede orientações do que fazer. Num primeiro momento, Albani orientou que ele se apresentasse na delegacia, mas depois sugeriu que sua ex-esposa se apresentasse em seu lugar. A advogada ainda orientou Hugo a limpar o carro a fim de se prevenir de uma possível perícia com coleta de DNA.

“Demonstrou-se nesta conversas que Hugo Cezar estaria mais preocupado em não ser responsabilizado do que com a vítima desse ‘acidente'”, diz trecho do inquérito.

Conversas entre Hugo e Albani:

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provas que incriminam advogada e outros dois homens

Abaixo, mais uma conversa que se deu após a divulgação da notícia da morte do pedestre Edenilson Schulze Souza.

Foto: Reprodução documentos/Divulgação NDFoto: Reprodução documentos/Divulgação ND

Com toda a investigação e reunião de provas, o promotor Ricardo Paladino denunciou os três – Hugo Cezar de Paiva, Cleberson Machado Pereira e Albani Lara Bergamini – e a Vara do Tribunal do Júri de Joinville recebeu a denúncia, transformando-os em réus. Foi dado início, portanto, ao processo penal contra os três que já encontram-se presos.

Os crimes de cada um, de acordo com a denúncia

Hugo Cezar de Paiva: Homicídio qualificado
Cleberson Machado Pereira: Homicídio qualificado e fraude processual
Albani Lara Bergamini: Fraude processual (Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito).

O promotor espera que os três respondam pela acusação e que, terminada a instrução processual, sejam pronunciados e submetidos a julgamento pelo Júri Popular.

A advogada Albani Lara Bergamini, inclusive, já havia sido presa por outro processo, ano passado, junto com outros seis advogados e um agente prisional, suspeitos de facilitar a entrada no sistema carcerário de aparelhos eletrônicos e drogas e de intermediar conversas entre presidiários e integrantes de organizações criminosas. O assunto foi trazido à tona com exclusividade pelo Portal ND+

Contrapontos

A reportagem do Portal ND+ tentou encontrar os advogados de Hugo Cezar de Paiva, Cleberson Machado Pereira, mas, pelo processo, eles ainda não foram notificados e, portanto, não possuem advogados constituídos.

Quanto a Albani Bergamini, ND+ conseguiu falar com o advogado Renato Boabaid, que defende ela em outro processo (de supostamente atuar em prol de uma organização criminosa desde 2017/2018 como “advogada da nação”, onde exerce a função de serviços jurídicos aos integrantes/simpatizantes do crime organizado).

Renato Boabaid explicou que, com relação a esta nova acusação – de fraude processual –  contra Albani, ainda terá de conversar com a cliente antes de se manifestar.

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