O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem depoimento à PF (Polícia Federal) marcado para a próxima terça-feira (16) sobre investigação de fraude em cartões de vacinação no sistema do Ministério da Saúde.
Bolsonaro foi intimado a depor no último dia 3, durante busca e apreensão cumpridas em sua casa, em Brasília. A defesa disse na ocasião que o ex-presidente não iria e que aguardava o acesso aos autos antes de remarcar o depoimento. As informações são da Folha de São Paulo.
Jair Bolsonaro (PL) deve depor à PF sobre fraude em cartão de vacina na próxima terça (16) – Foto: Reprodução/ InstagramO ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou o acesso aos autos no fim da semana passada. A partir de segunda (8), os advogados de defesa tiveram acesso para ler as páginas do inquérito.
SeguirA medida ocorre no âmbito da investigação sobre suposta “associação criminosa constituída para a prática dos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde.”
Prisões
No início deste mês, além da operação e apreensão a casa de Bolsonaro, a PF também prendeu os assessores Mauro Cid e Max Guilherme. Sergio Cordeiro, que atuava na equipe de segurança do ex-presidente também foi alvo de mandado de prisão.
Segundo a PF, os alvos da investigação são suspeitos de realizar inserções de fake news entre novembro de 2021 e dezembro de 2022 para que beneficiários pudessem emitir certificado de vacinação para viajar aos Estados Unidos.
Há suspeitas de que registros de vacinação de Bolsonaro, Cid e da filha mais nova do ex-presidente, Laura, tenham sido forjados.
Aliados do ex-presidente usam como argumento o fato de que o ex-presidente não esteve no Palácio do Planalto nos dias em que seu cartão de vacina foi acessado no sistema do SUS, através de um endereço IP da presidência da República.
O próprio Bolsonaro afirmou no dia da operação que não tinha se vacinado contra a Covid-19.
“Não tomei a vacina. Nunca me foi pedido cartão de vacina [para entrar nos EUA]. Não existe adulteração da minha parte. Não tomei a vacina, ponto final. Nunca neguei isso. Havia gente que me pressionava para tomar, natural. Mas não tomava, porque li a bula da Pfizer”, disse o ex-chefe do Executivo.
Vacinas contra Covid
As vacinas contra a Covid, como a da Pfizer, são seguras e tiveram sua eficácia comprovada em estudos científicos e foram aplicadas mais de 6 bilhões de doses em todo o mundo.
Jair Bolsonaro foi crítico da vacinação contra a Covid-19 e na esteira da operação da semana passada, afirmou ter reiterado aos próprios policiais que nunca se vacinou.
Além disso, a defesa conta com a admissão de culpa do tenente-coronel Mauro Cid. Aliados de Bolsonaro avaliam que Cid não terá alternativa a não ser reconhecer ter adulterado certificados de vacinação. Advogados de Bolsonaro buscam desvinculá-lo do episódio.