Já passava das 21h desta terça-feira (10) quando o juiz André Milani encerrou o primeiro dia do júri da cartomante e o marido acusados de ajudar a tentar matar uma empresária em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, em junho de 2019. O julgamento começou no início da manhã desta terça-feira e segue nesta quarta-feira (11), a partir das 8h30.
Primeiro dia do júri foi nesta terça-feira (10) – Foto: TJSC/NDO casal responde por tentativa de homicídio qualificada pelo crime ter sido cometido mediante promessa de recompensa e por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A mulher ainda responde por constranger a mandante do crime a pagar certa quantia em dinheiro, sob ameaça de morte contra ela e o neto.
Após a formação do conselho de sentença, composto por três mulheres e quatro homens escolhidos por sorteio, foi ouvida a primeira testemunha. A oitiva se estendeu por cerca de três horas. Na sequência, depois do intervalo para almoço, foram ouvidas outras oito testemunhas, dentre elas a vítima. Duas testemunhas foram dispensadas. Para manter a incomunicabilidade necessária dos jurados, eles foram escoltados até o hotel onde passaram a noite sem acesso aos celulares particulares ou ao telefone do quarto.
SeguirNa manhã desta quarta-feira serão realizados os interrogatórios dos réus. Em seguida, o promotor de justiça deve iniciar os debates apresentando a tese de acusação. O representante do Ministério Público terá três horas para suas argumentações, mesmo tempo que os advogados de defesa terão na sequência. Não há previsão para o término do julgamento.
Este é o segundo júri relativo ao caso. O paraguaio, autor dos disparos, foi julgado em 25 de novembro do ano passado. Ele foi condenado a 15 anos e oito meses de prisão, em regime fechado, por tentativa de homicídio qualificado por crime cometido mediante promessa de recompensa e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A sentença também inclui as penalidades por porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada e uso de documento falso.
A acusada de encomendar o crime aguarda julgamento de recurso para, depois, ser submetida ao tribunal do júri. De acordo com a denúncia, essa mulher procurou a cartomante em busca de reconciliação com o ex-marido, que se encontrava em novo relacionamento. Como o feitiço — que custou cerca de R$ 300 mil — não deu certo, a cartomante propôs o homicídio da atual companheira do homem.
Um matador de aluguel foi contratado, pelo marido da cartomante, para executar o crime e recebeu a orientação de simular um latrocínio (roubo seguido de morte). Dos R$ 35 mil prometidos, R$ 15 mil foram pagos antecipadamente.
Na tarde de 3 de junho de 2019, três disparos atingiram a cabeça da empresária, socorrida a tempo de se recuperar. O paraguaio fugiu em uma motocicleta e foi preso minutos depois. Ainda segundo a denúncia apresentada, a cartomante, então, exigiu mais dinheiro da mulher, a fim de sair da cidade com o marido. Sob ameaça de morte contra ela e o neto, a mulher entregou cheques no total de R$ 800 mil, dos quais R$ 90 mil foram compensados.