Caso Gabriella: estou disposto a pagar pelo meu erro, diz Leonardo

Réu foi ouvido ainda durante a manhã pelo Tribunal do Júri; Leonardo Natan Chaves Martins é acusado de matar, com um tiro no peito, Gabriella Custódio Silva

Luana Amorim Joinville

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“Eu estou disposto a pagar pelo meu erro”. Foi assim que Leonardo Natan Chaves Martins terminou seu depoimento ao júri na manhã desta terça-feira (27). Ele está sendo julgado por matar, com um tiro no peito, Gabriella Custódio Silva, então companheira dele, em julho de 2019.

ND+ está acompanhando todos os detalhes de um dos júris mais polêmicos do ano direto do Fórum da Comarca de Joinville.

Leonardo foi ouvido pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira – Foto: Luana Amorim/NDLeonardo foi ouvido pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira – Foto: Luana Amorim/ND

Antes de Leonardo, foram ouvidos o delegado Eliéser José Bertinotti, responsável pelas investigações, e outras três testemunhas de defesa do réu.

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Vestido com uma camisa branca, Leonardo sentou em frente ao tribunal e trouxe detalhes de como os dois se conheceram. Depois, relatou com detalhes o dia em que Gabriella foi morta.

“Meu pai falou que tinha comprado uma arma e fiquei curioso para ver. Depois de um churrasco com os amigos, fui com a Gabriella até a casa dos meus pais [..]. Foi aí que liguei para o meu pai perguntando onde estava a arma”, disse.

Após entrar em casa, Leonardo pegou o objeto embaixo do sofá, “colocou o carregador em cima da mesa e com a mão pegou a arma”.

“Coloquei ela na palma da mão. Eu estava com o dedo levemente no gatilho, mas não a ponto de disparar. Quando coloquei sobre a palma, ouvi o disparo. Foi quando ela me disse ‘amor você me acertou no peito'”, relembrou ao meio às lágrimas.

Depois disso, ele informou que levou Gabriella até o hospital e que chegou pedindo por ajuda. Neste momento, uma atendente teria solicitado por um documento da vítima, motivo pelo qual ele diz ter voltado ao carro.

Quando chegou no veículo, ligou para o pai desesperado, que foi até ele e resolveu levar Leonardo até São Francisco do Sul. No caminho, o pai, então, teria aberto a janela do carro e jogado a arma no Canal do Linguado.

Já sobre os celulares, quando questionado, o réu disse que estavam dentro do carro e que só descobriu que eles tinham sumido após ser preso, através dos advogados.

A promotoria começou questionando Leonardo sobre o relacionamento dos dois. O promotor Ricardo Paladino fez perguntas a respeito da renda do casal, o dia a dia e o afastamento de Gabriella dos familiares após o início do namoro.

No interrogatório, Leonardo disse que o relacionamento era tranquilo, que havia ciúmes mas “nada em excesso”. Em relação a possíveis ofensas, que foram apontadas por testemunhas ao longo do processo, ele afirmou que “nunca ofendeu Gabriella”. Já a defesa, fez algumas perguntas sobre o relacionamento dos dois.

Por fim, o réu pediu perdão à família e chorou dizendo estar arrependido pelo crime: “Eu matei a menina que eu amava”.

Durante todo o depoimento de Leonardo, a família fazia gestos de negativa. A mãe, inclusive chorou em alguns momentos, principalmente enquanto o réu contava o momento em que ocorreu o crime.

À tarde será a vez da acusação e da defesa apresentarem seus argumentos. A expectativa é de que o júri siga até as 20h.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 23 de julho, no Distrito de Pirabeiraba, em Joinville. Após o disparo, Leonardo colocou o corpo da jovem no porta-malas do carro e a levou até o Hospital Bethesda. Gabriella já chegou morta na unidade.

Após deixar a namorada em cima de uma maca, Leonardo fugiu para São Francisco do Sul e, no caminho, teria jogado a arma usada no crime no Canal do Linguado.

Em depoimento ele alegou que o disparo foi acidental e teria ocorrido enquanto mostrava a arma para a companheira. A perícia, porém, identificou que a pistola foi apontada na direção da vítima por conta do trajeto do projétil e da marca na parede. Gabriella estava na casa dos sogros quando foi atingida.

Leonardo será julgado por homicídio qualificado por feminicídio e por usar recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

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