O julgamento de um dos casos mais chocantes de Blumenau começou na manhã desta quarta-feira (22), no Tribunal do Júri do município. A sessão começou sem a presença do réu, Kelber Henrique Pereira, atendendo o pedido da família das vítimas, Jéssica Ballock e de seu filho que tinha apenas três meses de idade na época.
Delegado de Polícia Civil foi o primeiro a ser ouvido no julgamento do caso Kelber – Foto: Lucas Dias/NDO primeiro a depor foi o delegado de Polícia Civil Ronnie Esteves. Ele começou relembrando a forma como os policiais receberam as primeiras informações sobre o crime que seria descoberto momentos mais tarde. Ronnie relatou que foi informado de quem uma pessoa ligou na Central de Polícia e dito que havia matado a sua esposa. Policiais foram acionados e se deslocaram até o endereço informado.
Ao entrar no apartamento, os agentes encontraram o corpo de Jéssica, na manhã do dia 25 de julho de 2022. Por uma foto enviada através de um aplicativo de mensagem, o delegado descobriu que o filho de apenas três meses também estava morto. Ronnie contou que inicialmente os policiais acreditavam que tratava-se uma boneca.
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Jéssica Bullock e Kelber Henrique Pereira – Foto: Divulgação/NDKelber, no entanto, omitiu em um primeiro momento a morte do filho. “Incomodou muito ao Kelber o choro do bebê. Assim que ele tira a vida da Jéssica, o bebê de três meses chorou demais e ele se viu ali pressionado, sem saber o que fazer e achou por bem também tirar a vida dele”, afirmou o delegado.
O laudo da perícia, conforme o próprio delegado, confirmou que Jéssica foi morta com mais de uma facada no pescoço, chegando quase a coluna vertebral. O bebê foi atacado da mesma forma.
O delegado ainda disse que Jéssica era contra o uso de drogas do companheiro. Na época do crime, o réu admitiu em depoimento prévio à prisão que tinha feito o uso de drogas na data dos assassinatos após passar o dia na casa do sogro. Ronnie afirmou que não se recorda se haviam drogas no apartamento da família.
“Estou convicto da frieza, violência e crueldade de Kelber. Jéssica era uma pessoa muito doce, gostava muito dele, mas acabou pagando este amor com a vida”, disse o delegado de Polícia Civil Ronnie Esteves durante a sessão.
Morte de manicure em Gaspar foi citada em julgamento
No depoimento, o delegado ainda trouxe uma informação nova perante o plenário do Tribunal do Júri. Ronnie informou que no dia do nascimento do filho – o mesmo que o réu é acusado de matar -, Kelber estava em um motel com uma mulher, que foi encontrada morta em um matagal.
Kelber foi acusado de matar Carine Silva da Rosa, encontrada sem vida no município de Gaspar. A denúncia foi encaminhada para a Justiça pelo MPSC (Ministério de Justiça de Santa Catarina), que vai determinar se ele irá responder as acusações.
Relembre o caso
Jéssica e o filho de três meses foram encontrados mortos no final da manhã desta segunda-feira (25), no apartamento onde moravam na rua dos Caçadores, no bairro Velha, em Blumenau.
Após o crime, Kelber deixou Santa Catarina, levando consigo o filho mais velho de Jéssica, que foi encontrado alguns dias depois em Munhoz (MG), com os pais do acusado.
A criança foi entregue aos pais de Kelber, em Minas Gerais, por estranhos, mas acabou sendo novamente enviada à Santa Catarina, ficando sob a guarda dos pais de Jéssica.
A investigação apontou que Kelber teria ido embora para São Paulo, com destino ao município de Bragança Paulista (SP) com o carro da empresa onde trabalhava.
Após a localização de Kelber, a Polícia Civil de Santa Catarina conseguiu fazer com que o acusado voltasse para Santa Catarina, ficando recluso no Presídio Regional de Blumenau.