Clínica que fazia exame de visão sem oftalmologista em Brusque entra na mira do MP

Termo de Ajustamento de Conduta determina que clínica terá que contratar profissional especializado na área, sob pena de multa

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Redação ND Blumenau

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A 4ª Promotoria de Justiça de Brusque, no Vale do Itajaí propôs um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) após receber denúncia contra uma clínica de visão da cidade que não cumpria a legislação federal que regulamenta o exercício profissional da oftalmologia. A decisão foi divulgada nesta semana.

Termo de Ajustamento de Conduta determina que a clínica terá que contratar profissional especializado na área- Foto: Reprodução/Pxhere/Arquivo/NDTermo de Ajustamento de Conduta determina que a clínica terá que contratar profissional especializado na área- Foto: Reprodução/Pxhere/Arquivo/ND

Conforme denúncia em nome de uma associação que acompanhava o caso, a clínica mantinha um consultório com atendimentos feitos por técnicos em optometria exercendo atividades similares ao de um oftalmologista com formação em nível superior.

A denúncia teve embasamento ainda no Código de Defesa do Consumidor, que prevê a proteção da vida, saúde e segurança, inclusive na optometria. No procedimento instaurado pela promotora de Justiça Susana Perin Carnaúba, ficou comprovado que a ação de fato era realizada, o que motivou a instauração do procedimento.

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Segundo a legislação, o optometrista de nível médio só pode fabricar ou manipular lentes de contato, conferir as receitas emitidas pelo oftalmologista para a confecção dos óculos e substituir lentes que foram avariadas por outras com grau idêntico.

O proprietário do estabelecimento se comprometeu com o MP (Ministério Público) e assinou um Termo de Ajustamento de Conduta em que afirma que não irá mais praticar qualquer ato que caracterize atribuição de um oftalmologista enquanto a clínica não ter um colaborador contratado.

“O exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão é livre desde que as qualificações profissionais que a Lei estabelece sejam atendidas. Ocorre que a clínica não teria seguido o que determina a Lei. A legislação só permite técnicos com formação superior para fazer exames nos pacientes”, afirma a promotora por meio de nota.

Após denúncia, optometrista foi contratado

Depois de se comprometer a não exercer mais a atividade por não ter profissionais especializados na área, a clínica contratou um bacharel em optometria para cumprir as atividades no estabelecimento, segundo o MP.

O profissional formado na área é responsável pelo atendimento básico na saúde ocular e visual dos pacientes. Ele detecta problemas de vista, orienta o paciente, indica correções para melhorar a visão, receita óculos, lentes de contato ou terapia visual, além de identificar doenças que serão tratadas pelo oftalmologista.

Em caso de novo descumprimento, a clínica estará sujeita a multa de R$ 500,00 por infração, revertidos em favor do FRBL (Fundo para a Reconstituição de Bens Lesados), além da execução judicial da obrigação ajustada.

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