‘Como é que pode uma mãe não derramar uma lágrima?’, diz promotor em júri do caso Luna em Timbó

Nesta quinta-feira (16), ocorre o julgamento da mãe acusada de matar a própria filha em abril de 2022; padrasto também enfrenta o júri popular

Foto de Bruna Ziekuhr

Bruna Ziekuhr Blumenau

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O júri popular da mãe e padrasto acusados de matar Luna Bonett Gonçalves, de apenas 11 anos, em abril de 2022, acontece desde a manhã desta quinta-feira (16), no Fórum da Comarca de Timbó.

Mãe de Luna é acusada de ter matado a criança em abril de 2022Mãe e padrasto de menina Luna, morta em abril de 2022, enfrentam júri popular – Foto: Divulgação/ND

Durante o julgamento, que começou por volta das 10h30, testemunhas da defesa e o interrogatório do padrasto marcaram as primeiras horas.

Mãe de Luna falou sobre a relação que tinha com a filha

O promotor de justiça, Alexandre Daura Serratini, explicou que o júri começou com o sorteio dos jurados e a leitura das acusações, e, após uma breve pausa, iniciou o interrogatório de Tânia, mãe de Luna e acusada de ter matado a menina.

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Durante a primeira parte do depoimento, a mãe de Luna falou sobre a relação que tinha com a filha. “Não batia nela, só batia com tapas e chinelada na bunda quando ela desobedecia, mas não com a violência que o Fabiano [padrasto] fazia”, disse Tânia.

O promotor de Justiça, Alexandre Daura Serratine, pontuou ao longo do julgamento as versões conflitantes dos depoimentos que a mãe concedeu durante a fase de investigação. “Ela num primeiro momento assumiu a autoria dos crimes todos, depois na instrução processual acabou acusando o Fabiano, que nega qualquer envolvimento”.

Na época, quando foi chamada para depor novamente após sair o resultado da perícia da causa da morte de Luna, que comprovou que as lesões que a criança possuía não poderiam ser decorrentes da queda de uma escada como tinha sido alegado no primeiro depoimento, a mãe, acompanhada do padrasto, mudou a versão e confessou que matou a filha com chutes e socos.

Mais tarde, a possibilidade de a mãe ter matado a criança sozinha passou a ser descartada pela investigação, que comprovou que a menina era submetida à tortura e uma série de castigos.

No júri, o promotor apontou também sobre a postura da mãe de Luna ao longo do processo, se demostrando indiferente com a morte da própria filha. O momento foi marcado pela emoção de familiares que acompanhavam o julgamento desde as primeiras horas.

“Como é que pode uma mãe não derramar uma lágrima pela morte da filha em todo esse tempo, depois de carregar ela 9 meses?”, disse.

Menina Luna Bonett Gonçalves tinha 11 anos quando foi morta – Foto: Divulgação/Internet/NDMenina Luna Bonett Gonçalves tinha 11 anos quando foi morta – Foto: Divulgação/Internet/ND

Padrasto também foi interrogado

Na manhã desta quinta-feira (16), Fabiano, o padrasto que é acusado de matar Luna, foi interrogado. O advogado de defesa, Marcelo Geiser Duran, se manifestou e disse ter a convicção de absolvição do cliente.

“De fato, é um caso emblemático. (…) Temos a plena convicção da absorção do nosso cliente, da inocência do nosso cliente. Estamos trazendo sim testemunhas a serem ouvidas que comprovarão efetivamente como era Fabiano, como ele convivia com a família e que de fato não há qualquer condição de que ele tenha cometido os crimes pelos quais é acusado”.

“Da mesma forma, vamos lidar trabalhar as questões das agravantes, nós entendemos que não houve cárcere privado, tortura, há uma acusação de estupro de vulnerável, que entendemos que não ocorreu. A nossa intenção é absolvição, caso o contrário, nós entendemos que algumas agravantes e até alguns outros crimes devem ser de absolvição”, complementou.

Relembre o crime

Na madrugada do dia 14 de abril de 2022, a menina Luna Gonçalves, de 11 anos, deu entrada ao Hospital OASE de Timbó. Inicialmente, a hipótese era que a criança teria morrido a caminho do hospital, mas uma perícia apontou que Luna já estava morta em casa quando a família chamou os bombeiros.

A necropsia mostrou que a menina tinha diversas lesões e contusões no crânio, baço, pulmão, alças intestinais e também lacerações na vagina. Segundo o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), a menina também foi vítima de estupro, inclusive no dia em que foi morta.

Quando o caso foi encaminhado pela Polícia Civil ao Poder Judiciário e os envolvidos se tornaram réus, a Justiça decretou a prisão preventiva da mãe e do padrasto. O casal está preso desde o dia 15 de abril de 2022.

*Colaborou a repórter Isabella Dotta 

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