Criador da Xuxinha e morador de SC lamenta não ter participado de defesa de Xuxa em processo

Apresentadora foi condenada a pagar R$ 65 milhões pois teria plagiado história da Turma do Cabralzinho

Foto de Fernanda Silva

Fernanda Silva Joinville

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Neste início do ano, a apresentadora Xuxa Meneghel foi condenada pela Justiça do Rio de Janeiro a pagar R$ 65 milhões para um empresário mineiro, criador do “Turma do Cabralzinho” que alegou que a Xuxa Promoções e Produções teria se apropriado de sua história e personagens para criar a “Turma da Xuxinha: descobrindo o Brasil”.

Criador, que não é réu e nem testemunha do caso, falou sobre a ação – Foto: Issac Huna/Divulgação/NDCriador, que não é réu e nem testemunha do caso, falou sobre a ação – Foto: Issac Huna/Divulgação/ND

Issac Huna, criador dos personagens e morador de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina falou sobre o caso à reportagem do Portal ND+.

O desenhista e cineasta não está envolvido no processo, nem como réu ou testemunha, e acabou acompanhando o caso apenas pela imprensa. Porém, afirma, gostaria de ter tido espaço para defender seu projeto. “Acho que se tivessem me convidado para falar o resultado teria sido outro”, comenta.

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Isso porque, segundo o processo, o empresário mineiro teria apresentado os personagens e a história da Turma do Cabralzinho para a equipe da apresentadora entre 1998 e 1999, sem fechar negócio. Isaac conta que seus personagens foram criados muito antes disso, em 1994.

A reportagem do portal ND+ tentou contato com o empresário mineiro e com a assessoria da apresentadora, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para o posicionamento dos envolvidos.

História teria sido plagiada de Turma do Cabralzinho – Foto: Reprodução/Internet/NDHistória teria sido plagiada de Turma do Cabralzinho – Foto: Reprodução/Internet/ND
Capa de uma das revistas publicadas na época – Foto: Reprodução/Internet/NDCapa de uma das revistas publicadas na época – Foto: Reprodução/Internet/ND

Criação e venda

Publicitário, Isaac trabalhava como freelancer na época em que criou a personagem Xuxinha e sua turma. Inspirado pelo sucesso do Senninha, viu no mercado infantil um bom lugar para investir.

“Eu simplesmente vi um mercado interessante, vi que podia se fazer algo, com material infantil. Senninha tinha sido criado, pensei: ‘por que não criar uma Xuxinha?'”, conta Isaac.

Assim, a personagem nasceu, mas, um pouco diferente do que conhecemos hoje. Após a venda dos direitos dos personagens, os traços feitos por Isaac que deram forma ao rosto e às mãos foram mantidos, já os cabelos mudaram bastante.

A Xuxinha “original” era um pouco diferente daquela que foi lançada – Foto: Issac Huna/Divulgação/NDA Xuxinha “original” era um pouco diferente daquela que foi lançada – Foto: Issac Huna/Divulgação/ND

Mas, antes de fechar negócio, Isaac passou por negociações. A primeira vez que teve contato com a empresária da apresentadora, Marlene Mattos, havia feito uma ligação para o criador, apenas para comunicar que havia recebido a proposta.

Xuxinha criada pelo desenhista e cineasta Isaac Huna – Foto: Issac Huna/Divulgação/NDXuxinha criada pelo desenhista e cineasta Isaac Huna – Foto: Issac Huna/Divulgação/ND

Foi somente em abril de 1997, conta Isaac, que o contrato foi fechado e os direitos dos personagens vendidos. Aí, vieram algumas mudanças nos desenhos.

Apesar de ter vendido a criação, Isaac continuou participando de alguns projetos, como a boneca da Xuxinha. Viajou à China para acompanhar a fabricação.

Finalmente, nos anos 2000, com a comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, veio a polêmica do plágio. “Muitas empresas queriam fazer comemoração em alusão aos 500 anos, não é um caso isolado”, opina.

O morador de Jaraguá do Sul conta que a ideia da equipe da Xuxa era usar os personagens com roupas da época e em alusão ao período do descobrimento e, ainda, aproveitar o apelo comercial com demais produtos.

Acontece que, cerca de dois anos antes, o empresário mineiro teria oferecido os personagens e a história da Turma do Cabralzinho para a equipe da apresentadora. Isaac opina que faz sentido que os produtores não tenham aceitado a oferta, tendo em vista que a Xuxa já tinha seus próprios personagens. “Muitas empresas fizeram ações comerciais cada qual com seu perfil”, comenta.

Isaac não foi chamado para depor, o que lamenta. Acredita que se pudesse ter contato sua versão dos fatos, poderia ter contribuído de alguma forma. Ainda cabe recurso no processo que tramita desde 2004.

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