O primeiro dia de julgamento do caso do ex-jogador Daniel Alves começou nesta segunda-feira (5) em Barcelona, na Espanha. Alves está preso após ser acusado de estupro por uma jovem de 24 anos em uma boate na noite de 30 de dezembro de 2022.
A defesa de Daniel Alves pede anulação do julgamento – Foto: AFP/Divulgação/NDSegundo a imprensa espanhola, Alves chegou à audiência que acontece no palácio da Justiça, no coração da cidade, por volta das 10h da manhã. O réu sentou-se na sala do julgamento às 10h29.
O jornal espanhol El País explicou que a defesa de Daniel Alves denunciou que ele foi vítima de um “julgamento paralelo” e “condenação social”.
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Sua advogada, Inés Guardiola, sustenta que o direito à presunção de inocência do ex-jogador do Barcelona foi violado e que o processo deve ser declarado nulo e sem efeito devido às “irregularidades” presentes.
“Ele está no banco dos réus com a convicção social de que é culpado”, insistiu a defesa, recebendo a resposta do procurador: “Os crimes que afetam figuras públicas têm uma dimensão mediática inevitável. Lemos informações e opiniões em todos os sentidos, inclusive que tentam desacreditar a vítima. O tribunal rejeitou todas essas questões anteriores, então o julgamento continua”, disse.
A previsão é de que Daniel Alves deponha apenas no último dia de julgamento, nesta quarta-feira (7).
O depoimento da vítima começou por volta das 13h. O sinal do circuito interno de televisão foi desligado para preservar a privacidade da testemunha. Além disso, ela prestou seu depoimento protegida por um biombo, evitando contato visual com Daniel Alves.
Na Espanha, a pena máxima para estupro, sem agravantes, é de 12 anos, tempo requisitado pela acusação. Por outro lado, a defesa do brasileiro solicita sua absolvição.
O julgamento reserva três dias para examinar o caso de Alves, que está em prisão preventiva desde 20 de janeiro de 2023, após sua detenção pelos Mossos d’Esquadra.
Versões conflitantes de Daniel Alves
Durante o tempo em que está preso, Alves forneceu três versões diferentes do ocorrido no banheiro da discoteca Sutton: inicialmente negou conhecer a jovem, depois afirmou que nada ocorreu e por fim, declarou que ela realizou sexo oral nele. Essas discrepâncias, aliadas às evidências coletadas pela polícia, levaram à sua prisão.
No julgamento, Daniel Alves enfrentou os magistrados enquanto sua advogada levantava questões preliminares, buscando anular o processo devido a supostas violações dos direitos fundamentais do jogador.
A defesa alega que Alves não foi devidamente informado sobre o conteúdo das acusações quando testemunhou em janeiro de 2023, argumentando que suas condições durante o interrogatório foram tendenciosas.
Já a acusação deixa claro que os direitos fundamentais de Alves não foram violados, defendendo a continuidade do julgamento. A promotora Elisabet Jiménez destacou que teve acesso total ao processo e lamentou a divulgação, em janeiro, de uma videomontagem pela comitiva do ex-jogador, expondo dados pessoais da vítima.
Estão previstas para serem ouvidas no julgamento 28 testemunhas, incluindo funcionários da boate e peritos, para prestarem depoimento. O processo atraiu grande interesse da mídia, com 270 profissionais de 70 meios de comunicação credenciados para acompanhar o caso.
Até o momento, os promotores pedem uma sentença de nove anos de prisão, seguida de 10 anos de liberdade condicional. Eles também solicitam que Daniel Alves pague 150.000 euros (R$ 162.000) em compensação à vítima.