Entenda quem é o sócio da boate Kiss preso em SC e quais são os próximos passos

Mauro Hoffmann se entregou no presídio de Tijucas, na Grande Florianópolis, na manhã desta quarta (15); ele foi condenado a 19 anos e seis meses de prisão pela tragédia em Santa Maria

Redação ND Florianópolis

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O município de Tijucas, na Grande Florianópolis, figura no noticiário nacional desta quarta-feira (15) ao receber Mauro Hoffmann, sócio da Kiss e um dos quatro condenados pelo júri gaúcho por conta da tragédia na boate.

Ele se entregou ainda no período da manhã, assim como os outros três réus fizeram no Rio Grande do Sul. O ND+ explica por quanto tempo ele deve permanecer em Santa Catarina e quais os próximos passos da Justiça.

Mauro Hoffmann foi condenado pelo TJRS pela tragédia que deixou 242 mortos em Santa Maria – Foto: Juliano Verardi/TJRSMauro Hoffmann foi condenado pelo TJRS pela tragédia que deixou 242 mortos em Santa Maria – Foto: Juliano Verardi/TJRS

Ele fica em Tijucas?

De acordo com a assessoria dos advogados Mário Cipriani e Bruno Seligman de Menezes, que fazem a defesa de Mauro Hoffmann, a única certeza é que ele passa esta noite no presídio de Tijucas.

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“Até amanhã, que é quando o Habeas Corpus será julgado no TJRS, ele permanece em Tijucas. Depois disso, não podemos afirmar ainda”.

Além disso, os representantes evitam dar mais detalhes a respeito das condições do presídio ou da cela que Hoffmann ocupa. Pelo mesmo caminho, o DPP (Departamento de Polícia Penal) respondeu que “não divulga informações sobre as rotinas internas da unidade”.

Quem é Mauro Hoffmann, o sócio da Kiss preso em SC

Hoffmann é um dos quatro réus que foram condenados pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul pela morte de 242 pessoas na tragédia da boate Kiss, ocorrida em 27 de janeiro de 2013, na cidade gaúcha de Santa Maria.

Ele era um dos sócios do estabelecimento, e recebeu uma pena de 19 anos e seis meses de prisão. O outro sócio, Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, foi condenado a 22 anos e seis meses.

Desde a tragédia, pouco se sabe sobre a vida pessoal de Mauro Hoffman. “A gente não fala sobre a vida pessoal do cliente. É assim desde o início do processo, há quase nove anos. Ele nunca deu entrevista”, explica a defesa.

Mauro Hoffmann escuta a sentença entre seus dois advogados de defesa – Foto: Juliano Verardi/TJRSMauro Hoffmann escuta a sentença entre seus dois advogados de defesa – Foto: Juliano Verardi/TJRS

O principal argumento utilizado pelo réu e seus advogados é a responsabilidade que ele tinha na administração do estabelecimento.

“A linha de defesa tem como base o fato de Mauro Hoffmann ser apenas sócio investidor da Boate Kiss. Ele não tinha ingerência administrativa, o que é confirmado pelo outro sócio e pelas testemunhas”.

“Logo, Mauro não teve participação nas reformas da casa noturna, tampouco na colocação da espuma no teto. Ele não teve ação nenhuma que colaborasse com o acidente, posto que era meramente investidor”, complementa a assessoria dos advogados.

A defesa permanece confiante em uma absolvição do cliente, ao alegar inocência. “Ele sequer sabia da existência daquela espuma. Portanto, é inocente, não agiu com dolo eventual nem contribuiu para o desfecho trágico daquela noite”.

Outros réus se entregam no Rio Grande do Sul

Além de Mauro Hoffmann e Elissando Spohr, o vocalista da Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor da banda, Luciano Bonilha, receberam pena de 18 anos.

Todos se entregaram entre a noite de terça (14) e esta quarta (15) após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luis Fux, derrubar a decisão que concedia habeas corpus e impedia a prisão dos quatro réus, após o final do julgamento na tarde de sexta (10).

Todos eles aguardam, portanto, o julgamento do habeas corpus pelo TJRS marcado para esta quinta-feira (16).

Condenações após 10 dias de julgamento

Réus, testemunhas e vítimas deram fortes depoimentos em um julgamento que levou 10 dias e chamou a atenção de todo o país no início de dezembro.

Por volta das 17h da última sexta-feira (10), o juiz Orlando Faccini Neto leu o texto que condena os quatro réus pelo incêndio na boate Kiss, quase nove anos depois da tragédia.

Julgamento da boate Kiss chegou ao fim nesta sexta (10) – Foto: Juliano Verardi/Imprensa TJRSJulgamento da boate Kiss chegou ao fim nesta sexta (10) – Foto: Juliano Verardi/Imprensa TJRS

Um total de 28 pessoas passou pelo plenário. Foram 12 vítimas, 13 testemunhas e três informantes ouvidos pelo júri, composto por sete pessoas, e o magistrado.

Ao final do julgamento, os pais e familiares se reuniram para prestar homenagem aos que partiram. O discurso foi dado por um dos participantes da roda. “Nós não temos momento nenhum para comemorar, a não ser o momento da Justiça”.

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