Fernanda perdeu a mãe, Júlia não encontrou Tina, sua gata de estimação, Leandro ficou sem o tabuleiro de xadrez que tinha há décadas. Seu Domingos sem a renda do imóvel que garantia sua sobrevivência. Essas histórias estão ligadas à explosão em Jurerê, em Florianópolis, no residencial que tinha quitinetes alugadas. O episódio completou quatro meses no sábado (25).
Explosão em Jurerê completa quatro meses e dono do imóvel pode ser denunciado por homicídio culposo – Foto: Leo Munhoz/NDA Polícia Civil, que tinha um inquérito sobre o caso, indiciou o dono do imóvel por negligência, como explica o delegado Alber Figueiredo: “A explosão foi causada por falha na estrutura do gás interno na ligação entre a tubulação do gás e o fogão. A responsabilidade da manutenção do imóvel é do proprietário”.
Na Justiça, o dono do imóvel pode responder por homicídio culposo. A denúncia cabe ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e a 37ª Promotoria de Justiça da Capital analisa o caso. Se vier a denúncia, cabe ao juiz receber e iniciar, ou não, um processo criminal.
SeguirO vazamento de gás que causou a explosão em Jurerê, segundo perícia dos bombeiros, teve origem em uma mangueira vencida há dez anos. A reportagem procurou o dono do imóvel, Domingos de Oliveira. Ele preferiu não falar.
O ND+ ouviu seu advogado, Rubens Cabral. Ele desconhecia a conclusão do inquérito, mas falou sobre as indenizações aos inquilinos do residencial: “Ninguém teve prejuízo material. Eles foram indenizados na íntegra.”
Explosão em Jurerê gerou indenizações
“Para mim, a ajuda foi pouca, mas foi boa. Não perdi móveis. Como ele ajudou bastante, resolvi não entrar com ação”, enfatiza Júlia Avanzo. Inquilina do imóvel, ela recebeu de volta o último aluguel. R$ 1.200. Domingos também pagou danos aos vizinhos.
“Aqui quebrou as esquadrias, todos os vidros da frente. Estava cheio de caco de vidro, mas ninguém se machucou. Só o susto mesmo, de acordar com aquele barulho, ver o residencial naquele estado”, conta a vizinha Luciane Castilho.
Uma parede do imóvel que explodiu em Jurerê ameaçava cair sobre a casa de Marlei Piva, o que não ocorreu – Foto: Defesa Civil de Florianópolis/Divulgação/NDOs reparos na casa dela e da mãe custaram R$ 20 mil e Domingos pagou. “Não foi preciso cobrar. Ele mesmo veio aqui. Assim que teve condições, entrou em contato e pagou tudo”, registra Luciane. Segundo ela, o imóvel de seu Domingos ficou aberto depois da explosão e foi saqueado.
De acordo com o gerente de operações da Defesa Civil de Florianópolis, Alexandre Vieira, o dono do imóvel cumpriu as exigências do órgão, que não trabalha mais no caso.
“O que esperávamos era o Plano de Restabelecimento da Segurança do prédio, para fazerem uma reforma, caso alguém fosse morar. Como não vai morar ninguém, não terá risco”, explica Vieira.
A mãe de Luciane Castilho ficou um mês fora de casa, com o imóvel interditado – Foto: Leo Munhoz/NDNa quarta-feira (22), a reportagem visitou o residencial. Ninguém mais está no imóvel. O bloco de apartamentos que ficou de pé está em ruínas. O terreno tem entulhos, mas no entorno, os danos foram reparados. A servidão obstruída, após a explosão em Jurerê, está limpa e liberada. Os vizinhos lamentaram o ocorrido.