Família de adolescente atropelada em Florianópolis pede indenização na Justiça

Após obter a condenação do motorista na esfera criminal, família busca reparação pelos danos físicos causados à vítima mais grave do acidente

Bruna Stroisch Florianópolis

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Sete meses depois do acidente, a família atropelada no bairro Ingleses, em Florianópolis, ainda tenta lidar com o trauma e as marcas do que aconteceu.

A família busca na Justiça uma indenização do motorista Dyego Ferreira Sales pelos danos físicos causados à adolescente Rebeca Sayuri Minori, de 15 anos, vítima mais grave do acidente.

Família busca na Justiça indenização pelos danos estéticos causados à adolescente Rebeca Sayuri Minori – Foto: Reprodução/NDTVFamília busca na Justiça indenização pelos danos estéticos causados à adolescente Rebeca Sayuri Minori – Foto: Reprodução/NDTV

A família foi atropelada no dia 1º de janeiro de 2021, enquanto caminhava tranquilamente pela calçada. Os pais e o filho mais velho tiveram ferimentos leves. Já a adolescente ficou presa embaixo do veículo.

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Na última sexta-feira (27), o motorista foi condenado a cinco anos, sete meses e 25 dias de detenção. Ele estava preso preventivamente desde os fatos.

Apesar de ter alcançado o objetivo na esfera criminal, a família agora espera o desfecho na esfera cível, onde foi feito o pedido de reparação.

Isso porque, de acordo com o advogado Tiago de Souza, que representa a família, o juiz que analisou o pedido na Justiça negou as despesas judiciais gratuitas. Souza recorreu da decisão ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Segundo ele, os documentos anexados no processo foram considerados insuficientes para comprovar a situação de vulnerabilidade da família.

Sendo assim, a concessão da Justiça gratuita foi negada e o processo se encontra parado. O advogado diz que foi aberto um novo prazo para que a defesa se manifeste.

Agora, a família busca coletar mais documentos para comprovar que enfrenta dificuldades financeiras e que não tem como arcar com as custas judiciais de R$ 5,2 mil, exigidas para dar prosseguimento ao pedido de indenização.

Tratamento adequado

Após o acidente, Rebeca Minori ficou 14 dias em coma e passou por sete cirurgias, para a retirada de órgãos afetados e colocação de pinos pelo corpo. A adolescente perdeu o baço, um dos ovários, fraturou a bacia, a clavícula e quebrou braços e pernas.

O pedido de reparação, que foi calculado em cerca de R$ 200 mil, é justamente para custear um tratamento adequado para a jovem. Segundo Tiago de Souza, o motorista não prestou nenhum tipo de auxílio à família.

A mãe de Rebeca, que possuía um pequeno salão de beleza, teve que encerrar o negócio para cuidar da filha. O pai, que é funcionário de um supermercado, e o irmão mais velho é que arcam com as despesas da casa.

Uma “vaquinha virtual” foi aberta pela família para ajudar a pagar os tratamentos de Rebeca como fisioterapia e assistência psicológica. Até o momento R$ 9.390 foram arrecadados. A meta é chegar aos R$ 17 mil.

A reportagem entrou em contato com o advogado de Dyego Ferreira Sales para comentar sobre as alegações. O advogado Wanner Oliveira se manifestou por meio de nota, em que dá a posição de seu cliente. Confira o que ele disse:

“Apesar de não considerarmos o Dyego como o causador do acidente, uma vez que este se deu em decorrência de falha mecânica do veículo, foi ofertada ajuda à família da Rebeca via do advogado constituído pelos mesmos, todavia a ajuda ofertada foi convertida pelo causídico numa tentativa de obtenção de reconhecimento de culpa e num pedido de indenização quando este retornou com um pedido de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) como condição para o aceite de qualquer ajuda.

Assim, por entender que o dever de indenizar deve ser imputado a verdadeira culpada pelo acidente, a Land Rover, e não àquele que também foi vítima do descaso da fabricante do veículo e se viu envolvido num acidente que não poderia evitar, já que a falha compromete diretamente a dirigibilidade do veículo, preferiu-se aguardar o provimento judicial acerca da questão.”

Relembre o caso

Rebeca e seus familiares caminhavam pela calçada na rua das Gaivotas, no bairro Ingleses, quando foram atingidos por um veículo, modelo Land Rover. A força da colisão chegou a danificar a fachada de um edifício. Rebeca Minori passou 39 dias hospitalizada.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência relataram que o motorista, Dyego Ferreira Sales, de 34 anos, estava com forte odor etílico e fala arrastada. Dentro do carro, foram encontrados copos e um cooler com gelo.

Acidente na rua das Gaivotas, nos Ingleses, deixou a adolescente gravemente ferida – Foto: Corpo de Bombeiros Militar/Divulgação/NDAcidente na rua das Gaivotas, nos Ingleses, deixou a adolescente gravemente ferida – Foto: Corpo de Bombeiros Militar/Divulgação/ND

Sales teve a prisão preventiva decretada no dia seguinte ao acidente. Poucos dias após a ocorrência, ele foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina.

A defesa alegou que não houve um crime no caso do atropelamento da família de Rebeca e, sim, um acidente ocasionado por falha mecânica do veículo.

Após a condenação emitida na sexta-feira (27), a defesa do motorista se manifestou por meio de nota.

“Não se fez justiça, em verdade uma injustiça foi praticada, uma vítima levou a culpa pelo infortúnio de outra vítima e a verdadeira culpada sequer foi incomodada. É lastimável a decisão, mas novidade não é.
Aos que comemoram a decisão, lembre-se, qualquer carro pode apresentar falha mecânica, a qualquer tempo, em qualquer hora, lugar e situação, só torço para que tenham melhor sorte que o Dyego e a Rebeca”.

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