‘Mônenem’: Justiça confirma guarda definitiva de papagaio que auxilia criança com autismo

Juiz proferiu a sentença que garantiu a guarda definitiva da ave à sua protetora de 66 anos, em Santo Amaro da Imperatriz

Foto de Deny Campos

Deny Campos Florianópolis

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Uma protetora de animais de 66 anos, de Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis, ganhou a guarda definitiva de papagaio raro. A 6ª Vara Federal de Florianópolis (Ambiental) entendeu que a ave serve de apoio emocional a uma criança com autismo.

A imagem é meramente ilustrativa e não corresponde ao papagaio objeto da ação – Foto: Freepik/Reprodução/NDA imagem é meramente ilustrativa e não corresponde ao papagaio objeto da ação – Foto: Freepik/Reprodução/ND

A sentença foi proferida pelo juiz Charles Giacomini na última sexta-feira (18). Em junho de 2022, a Justiça Federal havia concedido a guarda provisória do animal por meio de uma liminar, agora convertida em decisão definitiva.

“Retirar da requisitante a guarda do animal, que serve até mesmo de apoio emocional à filha, resultaria igualmente em grave violação ao direito da dignidade da pessoa humana (princípio basilar da Constituição Federal de 1988), em especial no que diz respeito à pessoa portadora de autismo, como é o caso ora em análise”, disse Giacomini.

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O juiz determinou que a autora tenha a guarda permanente da ave, pois ficou evidenciada sua boa-fé. Ele destacou também a capacidade de cuidar do animal em um ambiente que se assemelha a um santuário, além de seu comprometimento com o bem-estar do papagaio.

'Mônenem' foi deixado ainda filhote na porta da casa da cuidadora em 2021Ave foi deixada ainda filhote na frente da casa da cuidadora, em uma caixa de papelão – Foto: Reprodução/ND

Cuidadora encontrou ave deixada em caixa de papelão; ela ganhou a guarda definitiva de papagaio

Em maio de 2021, a protetora encontrou uma caixa de papelão deixada em frente à sua casa, contendo um filhote de papagaio “muito debilitado, desnutrido e em precário estado de saúde”. Médicos veterinários diagnosticaram que a ave sofre de crises de convulsões e requer medicação contínua, incluindo Gardenal.

Segundo a protetora, o papagaio, denominado “Mônenem”, se tornou parte da família e oferece suporte emocional vital para sua filha, que tem transtorno do espectro autista. Em junho de 2022, a Justiça Federal havia concedido a guarda provisória do animal por meio de uma liminar, agora convertida em decisão definitiva.

O juiz ressaltou que, segundo a Constituição e a legislação ambiental, os animais silvestres não são mais considerados propriedade do Estado. Segundo a lei, são sujeitos de direitos que devem ser protegidos pela sociedade. Giacomini destaca que o local em que a ave se encontra é equiparável a um santuário de animais.

“Dispõe de todos os meios para atender às suas necessidades como espécie de ave silvestre portadora de deficiência incapacitante e incurável, razão pela qual não se mostra razoável exigir [a entrega ao Estado], com fundamento em lei cuja intenção do legislador é, claramente, a proteção da fauna silvestre”, completou.

Papagaios de peito roxo são considerados rarosPapagaios de peito roxo estão na lista de ameaçados de extinção – Foto: Reprodução/ND

Protetora tem a guarda, mas não pode divulgar fotos do papagaio

A sentença estabeleceu que a protetora não pode divulgar publicamente a imagem do “papagaio do peito roxo”, a fim de evitar a promoção do tráfico de animais. Este animal está na lista de animais ameaçados de extinção.

Os órgãos ambientais da União e do Estado estão proibidos de tomar medidas como autuações, apreensões ou remoções da ave da residência, embora mantenham a autoridade para realizar fiscalizações. A ação cabe recurso.

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