Um crime que chocou a cidade de Balneário Barra do Sul é julgado nesta quarta-feira (13), no Norte de Santa Catarina. Sentam no banco dos réus os seis acusados de terem espancado Marcos Rogério Cardoso, de 49 anos, até a morte. Revoltados com a violência sofrida pelo pai, a família marcou presença no júri com cartazes e gritos por justiça.
Família protesta antes do júri – Foto: Felipe Bambace/NDTV“Perdemos a pessoa mais importante da nossa vida. Ele não vai me ver casando, eu e meus irmãos nos formando. Pura maldade. Crueldade. Não podem voltar para a sociedade tão cedo, para que não volte a acontecer com outras pessoas”, diz em meio às lágrimas Bruna Cardoso, filha mais velha de Marcos.
Revoltados, a família protestou em frente ao auditório da Polícia Militar de Araquari, onde ocorreu o júri popular. Quando os acusados chegaram ao local, o momento foi de desespero. “Monstros”, gritou uma familiar.
SeguirMomento em que os acusados chegam ao local do julgamento – Vídeo: Felipe Bambace/NDTV
A vítima foi espancada até a morte após tentar impedir uma briga em um baile. O caso ocorreu em 30 de julho de 2022. Conforme investigação da Polícia Civil, o grupo teria levado Marcos até um terreno baldio, onde o agrediram com pedras, pedaços de pau e até mesmo telhas. Marcos não resistiu e veio a óbito.
Marcos Rogério Cardoso, a vítima, e o local onde houve o crime – Foto: Montagem a partir de fotos/Divulgação NDAs investigações apuraram, ainda, que a vítima era uma pessoa pacífica, enquanto parte dos autores sempre se envolviam em brigas no estabelecimento.
Quem era Marcos
O caso chocou a comunidade de Barra do Sul, pois Marcos era uma pessoa tranquila, que não costumava se envolver em brigas. Segundo a Polícia Civil, o homem foi morto após tentar impedir uma discussão que acontecia no baile.
“O que esses caras fizeram não tem explicação, ele era completamente passífico, não gostava de briga, era a conduta dele. Estamos aguardando que a justiça seja feita”, afirma Bruna.
Além de ser uma pessoa calma, a filha mais velha conta que o pai era um homem trabalhador, amoroso e dedicado. Bruna conta que foi ele quem criou sozinho ela e os três irmãos. Dois deles, tinham 11 e 14 anos na época do crime.
“Meu pai cuidou de quatro filhos sozinhos. Não sou filha biológica dele, mas sempre me tratou com amor e carinho, nunca me diferenciou dos meus irmãos. Quando foi deixado pela minha mãe, não pensou duas vezes em abrir as portas para eu ficar com ele. Protegeu a gente, cuidou, trabalhou. Quatro crianças que criou sozinho, foi pai e mãe”, diz Bruna com admiração pelo pai.
Cristian Rodrigues, sobrinho de Marcos, explica que o tio trabalhava como pedreiro, que sustentava os filhos e que era uma pessoa dedicada. “Um pai de família, insubstituível”, conta.
“Estamos esperando um ano pela justiça. A família está abalada e clama por justiça. Seis assassinos que merecem pagar pelo o que fizeram com meu tio”, concluí Cristian.
*Com informações de Felipe Bambace, repórter da NDTV Record TV.