Governo federal antecipa fechamento do espaço aéreo yanomami: ‘intensificar prisões’

Fechamento começa a valer dia 6 de abril e não mais em 6 de maio como estava previsto

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Redação ND Florianópolis

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O espaço aéreo do Território Indígena Yanomami, em Roraima, será fechado novamente em 6 de abril e não mais em 6 de maio, como a FAB (Força Aérea Brasileira) havia informado num primeiro momento. Segundo a Agência Brasil, a decisão foi tomada durante reunião entre os ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Defesa, nesta quinta-feira (23).

“É importante para desestimular a questão do garimpo. Evidentemente que, nesses últimos dias, tem acontecido um, dois voos, no máximo. Então, nós vamos dar mais esse prazo para, a partir do dia 6 de abril, fechar completamente”, disse o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

Espaço aéreo será fechado em 6 de abril – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Divulgação/NDEspaço aéreo será fechado em 6 de abril – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Divulgação/ND

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, avaliou que houve uma redução significativa do garimpo ilegal na região, com voos encabeçados por garimpeiros sendo reduzidos a praticamente zero, em alguns casos.

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“Como há ainda duas ou três áreas em que as pessoas estão insistindo [em ficar], nessa nova fase vai haver o fechamento do corredor, no que se refere ao tráfego aéreo. E nós vamos agora, já na próxima semana, intensificar prisões das pessoas que estão, infelizmente, descumprindo a lei e fazendo garimpo no território yanomami”, disse.

Além disto, os ministros anunciaram que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vai realizar uma espécie de censo no território yanomami para identificar e coletar dados.

Doença e garimpo

A malária, uma doença causada por um parasita que infecta um mosquito e através de sua picada, os seres humanos, não para de crescer no território yanomami. São tantos casos, que dos 123.151 casos de malária registrados no Brasil no ano passado, 11.530 eram do povo originário.

A doença é considerada tropical e relacionada às condições sanitárias e ao histórico de contato dessas populações indígenas com pessoas de fora de suas tribos. – Pixabay/Divulgação/NDA doença é considerada tropical e relacionada às condições sanitárias e ao histórico de contato dessas populações indígenas com pessoas de fora de suas tribos. – Pixabay/Divulgação/ND

O parasita é tão agressivo que se instala no fígado do corpo humano e ali se reproduz e passa a afetar os glóbulos vermelhos que fazem parte do sangue humano. São os glóbulos vermelhos os responsáveis por transportar o oxigênio dos pulmões para os tecidos e pela retirada do gás carbônico para ser eliminado pelos pulmões.

No entanto, não são apenas os indígenas que são afetados. Os garimpeiros ilegais, presentes na região, também são afetados. Para se ter uma ideia, os pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) identificaram no ano passado fatores que podem aumentar o risco de malária entre garimpeiros de ouro. Segundo os pesquisadores, a área avaliada apresenta os maiores índices de infecções por malária do Brasil desde o final da década de 80.

A mineração ilegal em terras indígenas da Amazônia Legal aumentou 1.217% nos últimos 35 anos. De 1985 para 2020, a área atingida pela atividade garimpeira passou de 7,45 quilômetros quadrados (km²) para 102,16 km².

Segundo o site InfoAmazonia, o desmatamento causado pelo garimpo e as piscinas de resíduos deixadas pela atividade alteram o ecossistema das regiões favorecendo o aumento do número de mosquitos. Além disso, os próprios garimpeiros acabam contaminados, colaborando para o crescimento e disseminação da doença.

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