Uma inspeção no aterro da empresa Versa Engenharia, antiga Serrana, em Lages, percebeu uma diferença de uma tonelada na pesagem de lixo nesta segunda-feira (17). A fiscalização surpresa foi feita como parte de investigações da Câmara Municipal na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Semasa (Secretaria Municipal de Águas e Saneamento de Lages), que apura suspeitas de corrupção em serviços de coleta de resíduos sólidos.
Fiscalização comparou peso de balança móvel PMRv com o pesagem feita pela Versa no aterro sanitário – Foto: TV Câmara de Lages/ Reprodução/ NDA Operação Mensageiro investiga a administração da Prefeitura de Lages e a Versa por suspeita de articular um esquema de propinas em troca de vantagens em licitações públicas, o que motivou a criação da CPI da Semasa, que apura possíveis irregularidades na Secretaria.
“Empresa continua agindo como quer”, diz vereador
A Câmara de Vereadores contou com a balança móvel da PMRv (Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina) para pesar os caminhões. As autoridades compararam o peso bruto total da balança móvel com o peso descrito pelos registros do aterro sanitário da Versa.
SeguirDe acordo com o relator da CPI, o vereador Jair Júnior (Podemos), ainda existem falhas na pesagem do lixo. “Uma diferença gritante, há realmente um problema na pesagem da balança feita pela Serrana. E a gente constatou também que os funcionários da prefeitura vem colaborar com a Serrana.”
“Posso afirmar com segurança que o município não tem fiscalização efetiva e a empresa continua agindo como quer.”
Segundo o vereador, a prefeitura de Lages possui três contratos ativos com a Versa. Um contrato emergencial de coleta de lixo, que acaba em agosto de 2023, outro do aterro sanitário, que encerra em dezembro de 2026, e um de iluminação pública, que acaba em maio deste ano.
Procurada para se manifestar sobre o caso, a Versa Engenharia afirmou, na manhã desta terça-feira (18), que as diligências foram “equivocadas”. Segundo a empresa investigada, ocorreram erros na regulação da balança da PMRv e na pesagem que interferiram na diferença de peso.
Já a PMRv afirmou que “todo o procedimento e metodologia utilizada na pesagem seguiu o que determinam as normas vigentes para fiscalização do transporte de carga.”
Peso desproporcional é destacado em investigação da Mensageiro
De acordo com o processo da Operação Mensageiro ao qual o Grupo ND teve acesso, o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) destaca um “aumento desproporcional” na produção de lixo de alguns municípios como sendo um padrão no esquema de corrupção investigado.
A operação observa que a população da cidade de Lages, na Serra Catarinense, aumentou apenas 0,27% entre 2015 e 2021. No mesmo período, o município passou a registrar 300 toneladas a mais de lixo mensalmente, um aumento de 10,82%.
O prefeito da cidade, Antônio Ceron (PSD), foi preso pela Operação Mensageiro no início de fevereiro e teve a prisão domiciliar concedida 15 dias depois.