Juíza de SC que exigiu ser chamada de excelência é suspensa

Magistrada Kismara Brustolin é alvo de procedimento apuratório de irregularidade, informou o TRT-SC; o caso aconteceu ainda no dia 14 de novembro, mas viralizou nas redes sociais nesta semana

Foto de Willian Ricardo

Willian Ricardo Chapecó

Receba as principais notícias no WhatsApp

O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-SC) decidiu suspender a juíza substituta Kismara Brustolin de realizar novas audiências após vazarem imagens em que ela grita com uma testemunha durante a sessão da Vara do Trabalho de Xanxerê (SC). O caso ocorreu em 14 de novembro, mas viralizou nas redes sociais nesta semana.

Juíza gritou com testemunha durante audiência Juíza substituta Kismara Brustolin, da Vara de Xanxerê, foi afastada de novas audiências — Foto: Reprodução/Internet/ND

Durante o depoimento da testemunha, a Juíza Substituta Kismara interrompeu o homem e disse: “Chamei a sua atenção; o senhor tem que responder assim: ‘O que a senhora deseja, excelência?’”. Apesar de a testemunha ter dito que não estava entendendo a situação, a magistrada disparou: “Para! Para de incomodar! Bocudo”.

Assista o trecho da audiência:

Juíza grita com testemunha em audiência trabalhista e exclui depoimento — Vídeo: Reprodução/Internet/ND

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Representantes da seccional catarinense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entregaram um ofício ao presidente da Corte para cobrar providências.

A atitude da magistrada foi repudiada pelo Tribunal Regional do Trabalho em Santa Catarina, que emitiu uma nota informando que ela foi suspensa da realização de audiências até a conclusão de uma investigação sobre o episódio. Segundo o TRT-SC, a decisão foi tomada pela Presidência do tribunal e pela Corregedoria Regional, em conjunto.

A Corregedoria Regional do TRT-12 ressaltou que a juíza Kismara deve ficar afastada das audiências até a conclusão do procedimento apuratório de irregularidade ou eventual verificação de incapacidade da magistrada, com o seu integral afastamento médico.

A suspensão não impede Kismara de proferir sentenças e despachos pendentes. A reportagem tentou contato com a juíza Kismara, mas ela não quis se pronunciar sobre o assunto. A assessoria do TRT-12 disse que ela não irá se manifestar.

A OAB-SC disse que vai acompanhar e apurar o caso. “Nós, advogados e advogadas, partes e testemunhas devemos ser respeitados em todas as hipóteses e circunstâncias, sem elevação de tom, falas agressivas ou qualquer outro ato que viole nossas prerrogativas e nosso exercício da profissão”, afirmou a presidente da seccional, Cláudia Prudêncio, em nota.

Tópicos relacionados