Júri popular de acusado de matar Roseli Stoll tem data marcada

Crime ocorreu em dezembro de 2021 e mais de um ano depois corpo de mulher nunca foi encontrado

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Redação ND Chapecó

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Pouco mais de um ano após a morte de Roseli Fátima Stoll, o acusado pelo assassinato da mulher vai a júri popular. O julgamento está marcado para às 9h do dia 10 de março, em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina.

Roseli StollCorpo de Roseli Stoll nunca foi encontrado. – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

A vítima teria sido morta asfixiada com um cinto pelo ex-companheiro no dia 2 de dezembro de 2021 em Concórdia, e seu corpo jogado no lago da Usina Hidrelétrica de Itá, em Alto Bela Vista. Porém, os restos mortais de Roseli nunca foram encontrados.

O acusado está no Presídio Regional de Concórdia e responderá por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ele foi encontrado e preso no Rio Grande do Sul alguns dias depois do crime.

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O promotor do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) que atuará na acusação é Luís Otávio Tonial.

Relembre o caso:

Roseli morava no bairro Nações, em Concórdia. A mulher foi vista pela última vez em um restaurante na área central, logo após sair do trabalho, por volta das 19h40 do dia 2 de dezembro de 2021. Familiares registraram um Boletim de Ocorrência no dia 6 de dezembro, pois ela não foi trabalhar e a casa não tinha sinais de arrombamento.

O ex-namorado da mulher já era investigado pela polícia, pois estava foragido e teria passado por Florianópolis (SC) e Caxias do Sul (RS). Os dois estavam juntos há cerca de sete meses e ele não aceitava o fim da relação.

A auxiliar de cozinha pretendia terminar o relacionamento na noite do dia 2 de dezembro, quando foi morta asfixiada com um cinto na casa do ex-companheiro. O motivo para o término seria porque Roseli tinha o desejo de ir para o Paraná visitar seus filhos sozinha e o companheiro não concordava.

Casa em que Roseli morava em Concórdia – Foto: Nadia Michaltchuk/NDCasa em que Roseli morava em Concórdia – Foto: Nadia Michaltchuk/ND

O delegado de Polícia Civil, Alvaro Weinert Optiz, disse, na época do crime, que a investigação apontou que naquele dia Roseli deixou seu local de trabalho, caminhou até as proximidades do hospital de Concórdia e entrou no carro do então companheiro.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento que os dois chegaram a casa do homem. “Ele entra na casa, acende as luzes e a mulher fica do lado de fora, dando a entender que, em tese, ela não foi obrigada a ir até o local”, pontua Optiz.

O crime teria ocorrido entre 21h e 22h quando gritos foram ouvidos no interior da casa. A investigação apurou, ainda, que mais ninguém entrou no local nesse período.

Conforme o delegado, na manhã do dia 3 de dezembro, próximo ao meio-dia, o homem retirou o corpo de Roseli enrolado em um lençol, levou até seu carro que estava na garagem e foi até Alto Bela Vista. “Há registros de que o carro passou na SC-390 e voltou cerca de 1h30 depois pelo mesmo trajeto”.

Confissão do crime

confissão do crime à polícia ocorreu após a prisão do suspeito de 34 anos, em Antônio Prado (RS), a cerca de 270 km de Alto Bela Vista. O homem fugia em um Renault/Logan e tentou escapar de uma abordagem da Brigada Militar do Rio Grande do Sul na rodovia RS-122, mas mesmo assim acabou preso.

“Após quase 18 km de acompanhamento, conseguimos a abordagem do suspeito. Iniciamos os questionamentos, com base nas informações já repassadas, e notamos um nervosismo ao ser questionado sobre o paradeiro de sua ex-companheira”, explicou o 36º Batalhão de Polícia Militar em nota emitida na época do crime.

Buscas foram realizadas no suposto local de desova do corpo. Foto: Corpo de Bombeiros Militar/Divulgação/NDBuscas foram realizadas no suposto local de desova do corpo. Foto: Corpo de Bombeiros Militar/Divulgação/ND

O homem tentou fugir a pé por uma região de mata fechada e de difícil acesso, contudo os policiais conseguiram captura-lo novamente. “Ele ofereceu resistência, mesmo imobilizado no chão, evitando entregar as mãos para o uso das algemas”, detalhou a polícia gaúcha.

O carro foi apreendido e passou por perícia com luminol, utilizado em perícias criminais de modo a identificar sangue no local do crime. O suspeito teve a prisão preventiva decretada e foi transferido para o Presídio Regional de Concórdia.

Feitiço teria motivado o crime

Segundo o delegado, o acusado disse à polícia que a motivação do crime seria um feitiço, realizada pela irmã da vítima.

“Ele confessou o crime, disse que teria asfixiado ela com uma cinta na manhã de sexta-feira, no dia 3. Disse que tinha desentendimentos com a família dela e que, em razão desses desentendimentos, o crime teria acontecido. Ele disse que a irmã da vítima teria feito uma ‘macumba’ contra ele e que a motivação seria essa”, contou ao ND+.

O delegado também disse que o acusado não demonstrou arrependimentos e que ele relatou sofrer de epilepsia e estava sem medicação no momento do crime. A informação em relação ao distúrbio também foi citada por uma irmã da vítima.