O mês de abril de 2022 não será facilmente esquecido por familiares e moradores da pacata cidade de Timbó, no Vale do Itajaí. Mas a angústia está perto do fim. Começou na manhã desta quinta-feira (16), o júri popular dos acusados de matar Luna Bonett Gonçalves, de apenas 11 anos.
Júri popular de mãe e padrasto acusados de matar menina de 11 anos em Timbó começa – Foto: Moisés Stuker/NDTVMãe e padrasto respondem as acusações de crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e motivo fútil, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, feminicídio, tortura, cárcere privado, estupro de vulnerável e fraude processual. O casal está preso preventivamente desde o dia 15 de abril de 2022.
O julgamento ocorre no Fórum da Comarca de Timbó. Além do interrogatório dos réus, testemunhas da defesa serão ouvidas. Segundo a assessoria do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), a acusação não ouvirá nenhuma testemunha durante o julgamento.
SeguirO Portal ND+ acompanha o Tribunal do Júri e o repórter Moisés Stuker traz mais detalhes.
Veja detalhes do júri popular do caso Luna, em Timbó
Julgamento dos acusados de matar Luna Bonett Gonçalves, de apenas 11 anos, em abril de 2022 – Vídeo: Moisés Stuker/NDTV
Relembre o crime
Na madrugada do dia 14 de abril de 2022, a menina Luna Gonçalves, de 11 anos, deu entrada ao Hospital OASE de Timbó. Inicialmente, a hipótese era que a criança teria morrido a caminho do hospital, mas uma perícia apontou que Luna já estava morta em casa quando a família chamou os bombeiros.
Os hematomas em todo o corpo e sangramento na genitália levantaram suspeitas. Mãe e padrasto foram conduzidos para a delegacia para prestar esclarecimentos, mas foram liberados após alegarem que Luna morreu após cair da escada.
Após perícia e com indícios de crime de violência contra a menina, eles foram intimados a depor novamente. Neste momento, a mulher mudou sua versão em depoimento, assumindo ter matado a criança sozinha. O casal foi preso temporariamente.
Segundo o MPSC, a menina também foi vítima de estupro, inclusive no dia em que foi morta. Em seguida, a possibilidade de a mãe ter matado a criança sozinha também passou a não ser mais considerada pela investigação, que comprovou que a menina era submetida à tortura e uma série de castigos.
Quando o caso foi encaminhado pela Polícia Civil ao Poder Judiciário e os envolvidos se tornaram réus, a Justiça decretou a prisão preventiva de ambos.
Segundo os Promotores de Justiça que assinaram a ação penal, Alexandre Daura Serratine e Tiago Davi Schmitt, a violência física era acompanhada de graves ameaças, sempre visando aterrorizar a criança e reduzi-la, psicologicamente a uma forma desumana.