Após invadir um apartamento habitado por quatro mulheres e ameaçá-las com uma tonfa (espécie de cassetete), em agosto de 2020, em Lages, um policial militar foi condenado a pagar R$ 24 mil em indenização por danos morais, somado a juros e correção monetária.
Cada uma das vítimas receberá R$ 6 mil. A decisão partiu do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, por meio da 1ª Vara Cível da comarca de Lages. Ainda cabe recurso da decisão.
Policial agrediu grupo que fazia comemoração no apartamento vizinho ao dele – Foto: Internet/Reprodução/NDAs mulheres afirmam ter sofrido trauma psicológico após o episódio. Na sentença proferida pelo juiz Joarez Rusch, publicada neste mês de abril, quase dois anos após a ocorrência, há comprovação de que o homem tinha intenção de agredir o grupo fisicamente.
Seguir“Pois saiu de casa armado e, ademais, deveria, como qualquer cidadão, ao não conseguir resolver a situação, solicitar auxílio policial. Evidente que, por sua função, achou que tinha o direito de o fazer por seus próprios meios. Suposição evidentemente errada”, diz o texto.
Não foram fornecidos mais detalhes do caso, uma vez que o processo segue tramitando em segredo de justiça. Contatada pela reportagem do ND+, a assessoria do 6°BPM de Lages informou que não se manifestará sobre a multa aplicada, uma vez que trata-se de decisão judicial. “A PMSC não se manifesta a respeito de decisões tomadas pela Justiça”, informou o representante de comunicação da corporação.
Relembre o caso
Em agosto de 2020, um policial invadiu um apartamento no bairro Coral, em Lages, e agrediu um grupo de estudantes que comemorava a aprovação de uma das jovens no Trabalho de Conclusão de Curso. O agressor argumenta que a atitude foi motivada pelo excesso de barulho do grupo, que ‘perturbavam o sossego alheio’.
Uma das mulheres gravou o vídeo em que mostra o policial cometendo os atos. Na ocasião, ele relata que havia pedido para que elas fizessem menos barulho, mas não foi atendido. A esposa do homem também participou do caso, brigando com o grupo.
Neste momento, o policial teria sacado a tonfa e iniciado as agressões, a fim de ‘contê-las’. A gravação mostra que a esposa iniciou as agressões contra as mulheres e em seguida o homem aderiu à prática ao bater com o item em uma delas.
“As imagens mostram claramente a desproporcionalidade da agressão do requerido, ao fazer uso da arma branca contra as autoras, jovens do sexo feminino e de porte físico significativamente inferior ao seu”, finaliza a sentença.