Justiça de SC proíbe prefeitura de Florianópolis de fechar abrigo infantojuvenil municipal

Abrigo municipal foi alvo de série de denúncias de órgãos de proteção que apontaram irregularidades no atendimento de crianças e adolescentes acolhidos no local

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Gabriela Ferrarez Florianópolis

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O TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) barrou o fechamento do abrigo municipal de Florianópolis, que acolhe crianças e adolescentes de 0 a 18 anos, nesta terça-feira (23).

Abrigo acolhe crianças e adolescentes de 0 a 18 anosAbrigo é o único de Florianópolis mantido exclusivamente com verba da prefeitura- Foto: Pixabay/Divulgação

O abrigo é o único de Florianópolis mantido exclusivamente com verba da prefeitura e tem, ao todo, 20 vagas. Conforme o MPSC, atualmente o abrigo tem oito acolhidos, seis adolescentes e duas crianças.

O TJSC acatou uma ação civil pública ajuizada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) em 18 de abril.

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Em 10 de abril, a prefeitura de Florianópolis havia determinado o fechamento do abrigo municipal.

Em nota (íntegra no final do texto), o município afirmou que “recebeu a decisão de não fechamento do abrigo municipal com satisfação e alinhadas com as medidas pensadas pela pasta”.

Justiça manda prefeitura manter abrigo aberto até novo local ser encontrado

Após ser informada de que o município pretende fechar o abrigo, a 9ª Promotoria de Justiça de Santa Catarina ajuizou uma ação civil em que pede para que a Justiça catarinense determine:

  • O não fechamento do abrigo;
  • Prazo de 30 dias para a prefeitura encontrar novo local para ser utilizado como abrigo municipal;
  • Prazo de mais 90 dias depois de encontrar o local para que o abrigo municipal passe a funcionar em novo endereço.

“Em um município com cerca de 100 crianças e adolescentes acolhidos, como abrir mão de 20 vagas próprias? Mesmo que o Município encaminhe eventualmente edital para chamamento de entidades, não há garantia de que essas vagas serão efetivamente preenchidas, o que demonstra o gerenciamento temerário dos gestores no trato da alta complexidade da Assistência Social”, disse o promotor Aurélio Giacomelli da Silva no pedido.

No entanto, o abrigo poderá ser fechado caso o município apresente um plano de ação documentado e com termo de parcerias firmados, para o direcionamento das 20 vagas de acolhimento de crianças e adolescentes, inclusive com demandas complexas.

Abrigo precário e excesso de medicamentos estão entre denúncias

O local foi alvo de denúncias de órgãos de proteção e de um inquérito do MPSC, que apontou as seguintes irregularidades:

  • Uso excessivo de medicamentos controlados de uso contínuo pelos adolescentes;
  • Demora nos atendimentos do Centro de Atenção Psicossocial (CAPSi) e da Apae aos acolhidos;
  • Excesso de brigas e evasões;
  • Não cumprimento do Projeto Político Pedagógico do Abrigo;
  • Estrutura considerada indevida e precária;
  • Dificuldades relacionadas aos cuidados com os adolescentes pela equipe e educadores;
  • Dificuldades relacionadas às marmitas oferecidas aos acolhidos;
  • Falta de atividades de cultura e lazer.

No entanto, conforme o promotor, as irregularidades não são razão para o fechamento do acolhimento.

“Este não é motivo para fechar suas portas. Ao contrário: diante do vencimento e não intenção de renovar o contrato por parte do locador do atual imóvel, este é o momento oportuno para que o Município de Florianópolis reabra o abrigo em local adequado, já devidamente renovado e reordenado de acordo com a legislação vigente”.

Nota da prefeitura de Florianópolis na íntegra

“A Secretaria de Assistência Social de Florianópolis informa que recebeu a decisão de não fechamento do abrigo municipal com satisfação e alinhadas com as medidas pensadas pela pasta. Em reunião com a Promotoria de Justiça, não houve proposta da Assistência Social de fechamento imediato do espaço, mas sim uma interrupção para solucionar questões imediatas do local e requalificação do serviço, em conjunto com transferências dos jovens acolhidos. A administração municipal reforça que o objetivo é trabalhar pelo cumprimento de direitos, bem estar e segurança das crianças e adolescentes abrigadas no espaço.”

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