Justiça determina retorno imediato de grevistas ao trabalho em Florianópolis

Desembargadora Sonia Maria Schmitz reconheceu a ilegalidade do movimento e impôs multa diária ao Sintrasem de R$ 100 mil; coleta de lixo será, gradativamente, terceirizada

Redação ND Florianópolis

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A greve iniciada pelos servidores de Florianópolis na última quarta-feira (9) foi considerada ilegal pela Justiça na noite desta quinta (10). Além disso, trabalhadores poderão ser multados em R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento.

Reunião desta quinta-feira entre servidores aconteceu no bairro Itacorubi – Foto: Paulo Mueller/NDTVReunião desta quinta-feira entre servidores aconteceu no bairro Itacorubi – Foto: Paulo Mueller/NDTV

A desembargadora Sonia Maria Schmitz determinou o imediato retorno de todos os servidores da Prefeitura de Florianópolis, bem como proibiu o Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis) de fazer tumulto ou constranger servidores para aderir ao movimento.

Em paralelo, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), anunciou que, gradativamente, vai terceirizar o serviço de coleta de lixo em todo o município para evitar que novas paralisações prejudiquem a população.

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Com a decisão judicial, a prefeitura está autorizada a iniciar descontos salariais de quem não quiser trabalhar. Entraram em greve os trabalhadores da Comcap (Autarquia de Melhoramento da Capital) e parte dos servidores da saúde e da educação.

Segundo o Executivo, para mitigar o problema na coleta de lixo, novas equipes terceirizadas devem iniciar nesta sexta-feira (11) os roteiros antes feitos pela Comcap.

No Norte e no Continente, a coleta não foi afetada pois já é de responsabilidade de uma empresa privada. Já nas áreas de saúde e educação houve pouca adesão ao movimento, e grande parte dos serviços segue acontecendo normalmente.

Movimento absurdo

O prefeito Gean, durante entrevista no programa Balanço Geral, classificou a greve como absurda. “Os sindicalistas nem sabem por que estão fazendo greve. Não tem justificativa. Não tem motivo para fazer greve. As terceirizadas realizaram um serviço que custa 40% do custo da da Comcap”, declarou Gean.

Segundo o prefeito, a ideia é avançar com a terceirização para as demais áreas. “E ainda buscam uma adesão pressionando os servidores a paralisar na educação e saúde. Paralisar a saúde, nesse momento de pandemia, não dá para acreditar que eles busquem uma decisão para tentar prejudicar a população”, criticou Gean.

A maioria dos serviços na cidade estão mantidos, a exemplo do atendimento nas escolas e postos de saúde, garante o prefeito. “100% das estruturas estão funcionando normalmente para vacinar. Mais de 70% dos servidores não aderiram a esse movimento ilegal de greve por parte do sindicato. Um ou outro profissional aderiu, mas a grande maioria [dos serviços] está funcionando”, pontuou Gean.

Sobre a coleta de lixo, o prefeito promete uma força-tarefa de empresas privadas até domingo para dar coletar lixo nas áreas desassistidas. “A população já percebeu duas situações: não quer mais ser refém do sindicato e não quer um serviço caro”, comentou Gean.

A Prefeitura de Florianópolis também vai registrar um boletim de ocorrência para apurar o furto da correia de uma bomba de combustível na sede da Comcap no Continente.

O crime impediu o abastecimento de veículos da saúde e outros setores. O local estava em posse dos grevistas e, quando foi retomado pela prefeitura, o estrago foi constatado. A equipe de manutenção foi acionada para resolver o problema.

Entidades repudiam paralisação de serviços essenciais

Diversas entidades de classe da Capital rechaçaram o movimento grevista mobilizado pelo sindicato, entre elas, CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), Acif (Associação Empresarial de Florianópolis) e Floripa Sustentável.

“Nesse vale-tudo em que os perdedores sempre são os cidadãos e as empresas que ajudam a manter de pé a economia da Capital, pouco importa a esses agitadores se tivermos que chafurdar no lixo, ou nossas crianças fiquem sem aulas ou, ainda, desprovidas de assistência à saúde. Francamente, Florianópolis merece isso?”, questionou a direção da CDL em nota. A entidade pediu rigor da prefeitura para criar obstáculos ao que a entidade entende como uma transgressão à lei.

Quem também se posicionou contrária ao movimento grevista foi a direção da Acif, que lamentou o fato de a greve começar quando os estudantes da rede municipal estão voltando às aulas.

“A saúde, a educação, a assistência social e, mais uma vez, a Comcap estão com suas atividades comprometidas. Serviços essenciais foram suprimidos repentinamente dos florianopolitanos. Sem negociação, sem aviso e sem preocupação com o todo”, manifestou-se a direção da Acif.

A entidade também pediu que a prefeitura não ceda a pressões e que efetive a mudança do modelo de coleta pela Comcap.

“Mais uma vez a cidade de Florianópolis encontra-se refém dos sindicatos. Não se admite greve numa época em que estamos tentando retomar após uma pandemia, onde essas crianças ficaram quase dois anos sem aula, tendo um prejuízo de aprendizagem enorme. Está faltando sensibilidade”, disse a presidente do Floripa Sustentável, Zena Becker.