Os quatro professores e um funcionário da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) envolvidos no caso conhecido como “Levante do Bosque” no câmpus de Florianópolis, em 2014, foram inocentados pela Justiça Federal. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (6).
Justiça absolve professores e um servidor da UFSC no caso do “Levante do Bosque” – Foto: Marco SantiagoArquivo/NDO juiz Leonardo Cacau Santos La Bradbury afirmou que os atos dos servidores não configuram improbidade administrativa, como havia denunciado o MPF (Ministério Público Federal).
O episódio ocorreu no dia 24 de março de 2014, há oito anos. Conforme o processo, policiais federais realizaram uma ação para combater o consumo e tráfico de drogas na universidade. Na ocasião, cinco pessoas que estariam consumindo maconha foram abordadas.
SeguirNo momento em que os policiais federais conduziam um dos indivíduos para uma viatura descaracterizada para que ele assinasse um termo circunstanciado, dois professores teriam impedido o trabalho e “incitado estudantes e outros populares contra a ação policial”, segundo a PF.
O caso ocorreu ao longo daquela tarde. Na confusão, policiais atiraram balas de borracha e bombas de efeito moral contra os manifestantes. A UFSC argumentou, na época, que alunos, professores e servidores ficaram feridos. Os manifestantes, então, viraram dois carros – um da UFSC e outro da PF –, em sinal de protesto.
“Levante do Bosque” ocorreu em 2014,na UFSC, em Florianópolis – Foto: Marco SantiagoArquivo/NDO juiz federal responsável pela ação decidiu que as condutas não configuram como improbidade administrativa porque os acusados “não tiveram a intenção de lesionar os veículos da Policia Federal e da UFSC, tampouco contribuíram para o furto dos objetos que estavam em seus interiores nem realizaram qualquer tipo de agressão física aos policiais, posto que não foram os responsáveis por jogar a pedra que fora apreendida”.
Os professores e o servidor, diz La Bradbury, atuaram “com o objetivo de pacificar os ânimos, de negociar com os policiais e de, sobretudo, proteger os estudantes, muitos deles ainda menores de idade”.
O ND+ procurou as entidades envolvidas para se posicionar em relação ao caso. A Polícia Federal afirma que não comenta decisões judiciais.
A UFSC afirmou que “não cabe manifestação oficial pois se trata de uma questão individual”, mas realizou, na época, um procedimento interno de apuração que concluiu pelo arquivamento. Já o MPF não retornou até o fechamento deste texto. O espaço está aberto.