Justiça determina religação de energia em comunidade quilombola, em Paulo Lopes

Distribuidora de energia afirma que apenas uma moradora da cidade sofreu corte, mas que ela não era cadastrada como quilombola e tinha débitos de R$ 4,5 mil

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Redação ND Florianópolis

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A Justiça Federal determinou que o município de Paulo Lopes, na Grande Florianópolis, e a Cerparlo (Cooperativa de Eletricidade de Paulo Lopes) regularize em 24 horas o fornecimento de energia elétrica de todas as residências da comunidade quilombola Toca de Santa Cruz, em Paulo Lopes.

A determinação atende a uma ação civil pública movida pelo MPF (Ministério Público Federal), denunciando corte de energia durante a pandemia.

A Cerpalo por sua vez afirma que os moradores da comunidade não ficaram sem fornecimento de energia. E que a ação favorece uma moradora não quilombola e que conta com débito de mais de R$4,5 mil.

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Justiça determina religação de energia em comunidade quilombola, em Paulo Lopes – Foto: PxHere/Divulgação/NDJustiça determina religação de energia em comunidade quilombola, em Paulo Lopes – Foto: PxHere/Divulgação/ND

De acordo com o MPF, a decisão do juiz Marcelo Krás Borges, da 6ª Vara Federal, determina também que a Cerpalo regularize a aplicação da tarifa social a todas as unidades residenciais da comunidade quilombola, sem exceção. A regularização deve ser comprovada em dez dias.

Caso os réus descumpram a medida, devem pagar multa de R$ 1 mil ao dia “para eventual descumprimento ou mora nas providências ora requeridas, independente da possibilidade de caracterização de improbidade administrativa”.

No despacho, o juiz federal observa que a ação civil pública, movida pela procuradora da República Analúcia Hartmann, comprovou através de documentos que foi cortada a luz de membros de uma comunidade quilombola em plena pandemia.

Hartmann afirma que o corte de energia causou perda de alimentos perecíveis que haviam sido distribuídos via cesta básica.

Moradora atingida não tinha cadastro e era inadimplente, afirma Cerpalo

Conforme a Cerpalo, a distribuidora atende mais de 14 mil clientes, sendo que 14 estão cadastrados como membros da Comunidade Quilombola, todos os moradores quilombolas cadastrados não sofreram cortes.

Entretanto, segundo a Companhia, uma pessoa que mora perto da comunidade teve a ligação de energia cortada. A empresa apontou que ela não está cadastrada como quilombola e não trouxe documentos para a formalização do pedido.

Além disso, afirmam que ela possui três casas em seu nome, conta com renda familiar acima do mínimo legal exigido para isenção e está inadimplente. Ela conta com 15 contas de energia atrasadas, conforme a Cerpalo, sendo que uma delas data de 2019, e débito de R$ 4,5 mil.

A empresa afirma, ainda, que a energia foi religada no último dia 30 de setembro devido ao pedido do MPF, “sendo que não existe motivo para ajuizamento de ação judicial a respeito”.

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