Luiz Henrique Saliba, prefeito de Papanduva, vira réu na Operação Mensageiro

Sessão da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça define primeiros réus da investigação sobre suposto esquema de propinas no serviço de coleta de lixo em municípios

Foto de Redação ND

Redação ND Florianópolis

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O prefeito de Papanduva, Luiz Henrique Saliba (PP), virou réu na Justiça em desdobramento da Operação Mensageiro nesta quinta-feira (13). A decisão foi tomada pela 5ª Câmara Criminal do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina). De acordo com o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), Saliba é suspeito de receber propina para favorecer empresa de saneamento na prestação de serviços na cidade.

A decisão incluiu ainda a quebra de sigilo do processo. Na tarde desta quinta, a Justiça irá analisar o pedido de liberdade da defesa de Saliba.

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Luiz Henrique Saliba está preso desde dezembro – Foto: Reprodução/@luizhenriquesaliba/ND

Saliba foi preso em dezembro de 2022, suspeito de participação no esquema criminoso, que teria ocorrido em diversas cidades, no que o MPSC classifica como “maior esquema de propinas da história do Estado”. Ao todo, sete prefeitos foram presos preventivamente pela Mensageiro.

A Justiça chegou a recusar um laudo médico apresentado por Saliba que argumentava em favor da prisão domiciliar. A desembargadora Cinthia Schaefer, que conduz a operação no TJSC, rejeitou o laudo, alegando que o médico que o emitiu já prestou serviços à Prefeitura de Papanduva e que seria suspeito.

Um pedido de cassação do prefeito chegou a ser protocolado na Câmara de Vereadores de Papanduva pela vereadora Mariângela Senna (MDB).

O procurador jurídico da Casa é Luiz Eduardo Saliba, filho do prefeito e servidor efetivo que representa o Poder Legislativo Municipal em questões judiciais que necessitem de profissional especializado da área. No processo de cassação em questão, caso seja aprovado, Luiz Eduardo representaria o município, contra o próprio pai.

A Serrana, agora chamada Versa Engenharia Ambiental, atende várias cidades do Estado onde há suspeitas de corrupção. Foi um funcionário da empresa de saneamento, chamado de “Mensageiro” na investigação, que segundo o MPSC era responsável pela entrega das propinas aos prefeitos. Por ter feito acordo de delação premiada, o nome do funcionário não pode ser divulgado pelo Grupo ND por proibição judicial.

Em Papanduva, o Ministério Público apontou que a Versa Engenharia ganhou os três contratos com a prefeitura nos quais concorreu, sendo o primeiro deles em 2013. Desde então, foram pagos R$ 7,8 milhões.

Recentemente, a Versa Engenharia recuperou o direito de atuar em Papanduva. A administração municipal havia feito a contratação emergencial, sem licitação, de uma nova empresa para a coleta de resíduos, pois trata-se de serviço essencial.

O Grupo Serrana se manifestou por meio de nota (confira na íntegra no fim desta matéria ) e informou que “tem o histórico de mais de 30 anos de excelente execução dos contratos administrativos e todos os fatos imputados à empresa na Operação Mensageiro não possuem relação com a qualidade da prestação dos seus serviços aos municípios e a população”.

O que diz a defesa

A defesa da Versa entrou com um mandado de segurança solicitando o retorno das atividades. Nele, a empresa alegou que, a despeito da investigação do Ministério Público e as prisões preventivas de prefeitos catarinenses, “não existe medida cautelar que impeça o grupo de prosseguir na execução de contratos públicos municipais ou participar de licitações”.

Um dos advogados de Saliba, Manolo del Omo, afirmou que não vê motivos para a detenção de Saliba, que está no Presídio Regional de Caçador.

“Nós achamos que essa revogação já deveria ter acontecido, na verdade não vemos motivos para decretação da prisão prevetiva”, completa. O prefeito responde a um segundo processo que também será julgado nesta quinta.

“Começa agora a fase do contraditório, em que nós vamos provar sua inocência”, destaca o advogado.

Nota na íntegra

O Grupo Serrana informa que tem o histórico de mais de 30 anos de excelente execução dos contratos administrativos e todos os fatos imputados à empresa na Operação Mensageiro não possuem relação com a qualidade da prestação dos seus serviços aos municípios e a população.

A empresa, ciente da importância de rever seus processos internos, e da relevância do trabalho que presta no âmbito ambiental e social, deu início à implantação de programas de integridade e regulação interna, para seguir prestando serviços de qualidade e responsabilidade em todo país.

O Grupo informa, ainda, que segue colaborando e acompanhando os trâmites de todos os processos relacionados à Operação Mensageiro.