Mais uma vez, Justiça emperra obra da ponte da Lagoa da Conceição

Em menos de quatro meses, desde que os trabalhos começaram em abril, esta é a terceira decisão judicial que paralisa obra da ponte na região

Redação ND Florianópolis

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A Justiça Federal suspendeu, pela 3ª vez, as obras da nova ponte da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O desembargador do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Marcos Roberto Araújo do Santos, decidiu manter a decisão proferida pelo juiz da 6ª Vara Federal da Capital, Marcelo Krás Borges, que determinou ao município a imediata suspensão de qualquer medida administrativa ou executiva voltada ao início das obras da nova ponte.

Obra da nova ponte da Lagoa da Conceição, em FlorianópolisObra da nova ponte da Lagoa da Conceição, em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND

Na decisão, o desembargador federal ainda determinou ao IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) a adoção das providências administrativas necessárias para imediata suspensão dos efeitos das licenças ambientais deferidas para as obras.

Em sua defesa, o município reforçou que em caso anterior semelhante, que tratava da construção de ponte na Barra da Lagoa, a Corte Federal já decidiu que não seria necessário EIA (Estudo de Impacto Ambiental) para o licenciamento da obra.

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De acordo com a resolução Consema 98/2017, o empreendimento (implantação pioneira de estrada pública) não demanda a realização daquele estudo, porque apresenta porte pequeno, já que se estende por área de medida inferior a um quilômetro, além de trata-se de uma construção de utilidade pública, e por isso se justifica a intervenção em área de preservação permanente.

O município também sustentou que a obra foi devidamente autorizada pela SPU (Secretaria de Patrimônio da União) e pela Capitania dos Portos, e o empreendimento não infringe os termos da liminar deferida na ação civil pública, porque há “elementos técnicos, segurança e autorização ambiental”.

Entrave jurídico e “desgaste eterno” sobre a obra da ponte, afirma prefeito

Iniciada em 10 de abril deste ano, a obra da nova ponte da Lagoa da Conceição foi suspensa por determinação do juiz federal Marcelo Krás Borges dois dias depois, atendendo a uma ação civil pública do MPF (Ministério Público Federal) que pedia que cessassem as intervenções do município sobre as margens e as águas da Lagoa da Conceição até que fosse realizado e aprovado licenciamento ambiental, e obtida a autorização (cessão) da União, por meio de processo de análise dos Estudos de Impacto Ambiental e de Impacto de Vizinhança.

A construção foi retomada no dia 27 do mesmo mês após o TRF-4 acatar o recurso apresentado pelo município. Não demorou muito e uma nova decisão do magistrado Marcelo Krás, no dia 9 de maio, voltou a suspender as obras.

Dez dias após, outro despacho do TRF-4 acatou um novo recurso apresentado pela Prefeitura de Florianópolis, liberando a continuidade do trabalho.

“Vamos ter que recorrer à Justiça novamente. É um desgaste eterno que a gente não entende. Obra parada, mais de 40 funcionários de braços cruzados. E o pior: essa conta quem paga é a cidade”, reclamou o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto.

Segundo ele, a obra da nova ponte da Lagoa da Conceição foi analisada por mais de 50 técnicos em todo estudo de viabilidade. “Agora só resta continuar lutando e conseguir novamente a liberação da obra, não vamos desistir”, avisou.

A nova ponte no bairro Lagoa da Conceição terá 214 metros de extensão e 17 metros de largura, com a construção também de uma infraestrutura de lazer com áreas de playground, academia de ginástica e praça.

Editorial citou prejuízo aos cofres públicos e insegurança jurídica

No editorial Canetadas do Atraso, publicado em 29 de abril deste ano, o jornal ND defendeu a continuidade das obras da nova ponte da Lagoa da Conceição e fez críticas às canetadas jurídicas que impedem o transcorrer do trabalho.

“A decisão favorável ao recurso apresentado pela prefeitura representa uma vitória da comunidade, que vem pleiteando a obra como elemento importante para a revitalização da região – reduto manezinho tradicional e cartão-postal turístico que sofre com a decadência dos últimos anos”, cita o texto, ao avaliar despacho do desembargador Victor Luiz dos Santos, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

No editorial, o ND defendeu que a retomada da obra estanca “o prejuízo aos cofres públicos causados pela paralisação da empresa contratada durante o período em que a canetada do juiz Marcelo Krás Borges permaneceu em vigor. A expectativa da comunidade, claro, é que o andamento dos trabalhos não sofra nova interrupção”.

O jornal ainda lamentou que uma obra do quilate da estrutura que começa a ser construída na Lagoa da Conceição, depois de muita espera da comunidade, fique à mercê da insegurança jurídica – iniciada com uma ação extemporânea protocolada pelo Ministério Público Federal.

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