Médico é condenado por lesão corporal após usar PMMA e causar doença incurável em paciente

Profissional utilizou altas doses de PMMA em paciente, no Distrito Federal, causando diversas complicações, incluindo quadro de tromboembolismo pulmonar

Foto de Laura Machado

Laura Machado Florianópolis

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Um médico foi condenado a pagar indenização de R$ 16 mil por danos morais a uma paciente no Distrito Feral, após aplicar PMMA (Polimetilmetacrilato) nela de forma indevida, o que provocou o surgimento de uma doença incurável.

Pedaços minúsculos e quadrados de plástico transparente amontoados em cima de superfície pretaMaterial sintético é utilizado em procedimentos como preenchedor – Foto: Reprodução/ND

A decisão da 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras, que ainda cabe recurso, também condenou o médico a dois anos e três meses de reclusão em regime aberto pelo crime de lesão corporal. As informações são do R7.

O júri decidiu a quantia de R$ 16 mil com base no preço do procedimento pago ao médico, além dos gastos com sessões para tratar as lesões no rosto da vítima e consultas.

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Profissional que fez aplicação é pós-graduado em estética

Segundo a denúncia, o médico teria aplicado doses excessivas de PMMA em regiões inadequadas do corpo da paciente. Em setembro de 2015, depois da realização do procedimento, a mulher teve uma trombose venosa profunda e chegou a ser internada.

O documento cita ainda que o quadro da vítima evoluiu para um tromboembolismo pulmonar, o que provocou o surgimento de uma doença incurável que desencadeia alergias e problemas respiratórios.

O acusado é formado em medicina e com pós-graduação em medicina estética – Foto: Freepik/Reprodução/NDO acusado é formado em medicina e com pós-graduação em medicina estética – Foto: Freepik/Reprodução/ND

O registro feito pelo juiz na sentença afirma que o acusado é formado em medicina, devidamente inscrito no CRM-DF (Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal) e com pós-graduação em medicina estética.

“Com tais predicados, conquanto tenha feito uso de substância autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é certo que o réu tinha, como de fato ainda tem, conhecimento da necessidade de observância das recomendações para aplicação do PMMA no corpo humano”, pontuou o magistrado.

O que é PMMA?

O PMMA (Polimetilmetacrilato) é empregado na fabricação de próteses dentárias, dentaduras e restaurações dentárias.

O polímero sintético também é utilizado na fabricação de faróis de automóveis, lanternas traseiras e outras peças de plástico devido à sua transparência e resistência a impactos.

Desde o início dos anos 2000, os médicos deixaram de usar o PMMA para procedimentos estéticos por conta do efeito permanente e a tendência de adesão à pele, músculos e ossos.

Foto de mulher branca usando camiseta branca. Ela tem cabelos lisos longos e pretos e está dentro de um carro usando óculos escurosA modelo Aline Ferreira, de 33 anos, morreu no Distrito Federal após complicações por conta de um procedimento – Foto: Redes sociais/Reprodução/ND

No dia 2 de julho, a modelo Aline Ferreira, de 33 anos, morreu no Distrito Federal após complicações por conta de um procedimento para aumentar os glúteos à base de PMMA, feito em uma clínica estética em Goiânia.

Conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a remoção do PMMA, sem causar danos a essas estruturas, é extremamente desafiadora em casos de processo inflamatório ou insatisfação do paciente com os resultados.

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