Mensageiro: depoimentos revelam contradições entre prefeito de Tubarão, vice e dono da Serrana

Políticos presos pela Mensageiro negam ao MPSC terem recebido propina em troca de favorecimento em licitações de serviços públicos, mas têm versão rebatida pelo dono da Serrana

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Redação ND Florianópolis

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Depoimentos do prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli, do seu vice, Caio Tokarski, e do dono da Versa Engenharia, antiga Serrana — todos presos pela Operação Mensageiro — relevaram contradições. Reportagem do ND Notícias desta quinta-feira (15) mostrou que os políticos negaram ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) terem recebido propina em troca de favorecimento em licitações de serviços públicos, ao contrário do que afirma o dono da Serrana.

Depoimentos da Mensageiro revelam contradições de prefeito e vice de Tubarão e dono da SerranaPrestaram depoimento o prefeito, o vice e o ex-servidor de Tubarão: Joares Ponticelli, Caio Tokarski e Darlan Mendes – Foto: Reprodução/ ND

No interrogatório, o empresário apontado como orquestrador do esquema afirma que acertou um acordo em que o dinheiro era destinado ao prefeito de Tubarão e seu vice.

Além dos políticos e do empresário, o depoimento de Darlan Mendes da Silva, que ocupava o cargo de gerente de gestão municipal de Tubarão, também foi ouvido pela Operação Mensageiro.

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Em trechos dos depoimentos, que têm quatro horas de duração, Ponticelli, Tokarski e Mendes se declaram inocentes.

“Lembra de alguma situação em que o Darlan tentou marcar alguma reunião entre ele [o dono da serrana] e o senhor?”, pergunta o investigador.

“Não tive nenhuma reunião com o [dono da Serrana]”, responde Ponticelli.

“Ele [Darlan] disse que me entregou o dinheiro, eu nunca recebi dinheiro”, fala Tokarski durante seu interrogatório.

“Eu perguntei o porquê, e ninguém me disse o porquê”, fala Mendes.

As versões foram rebatidas pelo dono da Serrana.

“Eu já acertei esses 10%, que segundo o Darlan, era para o prefeito e o vice. E o Darlan, mas uns quatro cinco meses depois, ele pediu os R$ 6 mil”, fala o empresário, que afirma em seguida que pagou o valor ao ex-gerente.

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MPSC e dono da Serrana detalham ‘mesada’

Segundo o Ministério Público, “existem elementos robustos de que Joares Ponticelli e Caio Tokarski receberam uma ‘mesada’ de R$ 30 mil do Grupo Serrana”. Os valores acumulavam e eram pagos pelo “mensageiro”, colaborador da Versa apontado como operador da propina, em um intervalo de três a quatro meses.

Darlan Mendes foi flagrado pelo MPSC em um posto de combustível de Tubarão supostamente recebendo a propina.

No depoimento, o ex-gerente confirmou que se encontrou com o “mensageiro”, no entanto, afirma que o encontro foi para pegar documentos. Mas, segundo a investigação, o operador do esquema nunca teve um encontro com um agente público que não fosse para pagar propina.

‘Tubarão e Lages eram muito importantes’, diz empresário

O dono da empresa disse que, em junho de 2022, suspeitou da investigação e parou com os pagamentos, mas antes do ano acabar, mudou de ideia.

“Eu disse para o [mensageiro]: ‘Eu acho que dá pra nós dar [sic] uma arriscada e você fazer Tubarão e Lages’, porque eu tinha muita preocupação com esses municípios. Queria sempre deixar em dia, porque era muito importante para a Serrana Engenharia. Aí ele levou tudo que estava atrasado para Tubarão, porque eu pedi para ele levar, foi aonde que vocês [investigadores do MPSC] tiraram uma foto.”

Prefeito e vice alegam lisura de licitações; empresário contraria

Nos depoimentos, Ponticelli e Tokarski afirmam que as licitações da gestão de resíduos em Tubarão foram feitas corretamente, de acordo com as exigências do Tribunal de Contas. No entanto, o dono da Serrana alegou que, apesar de ser feitas nos moldes legais, o processo favorecia a empresa investigada pela Mensageiro.

“Sempre era orientado para que fizesse de uma forma legal, que não tivesse problema no Tribunal, mas que pudesse fechar mais para nós, não tivesse mais dificuldade com os outros. O fato de ter a destinação já junto no edital com a coleta, já era um fato que nos favorecia bastante.”

O que dizem as defesas dos presos pela Mensageiro

O advogado de Mendes, Rodrigo Roberto da Rilva, disse que ele é inocente e que todas as manifestações serão feitas no processo.

O advogado Nilton Machado, que representa o prefeito Joares Ponticelli, disse que o delator tem interesse absoluto e obrigação em querer comprovar o que afirmou secretamente, pois se não provar, rescinde o acordo. Segundo Machado, delação não é prova, mas “meio de prova”.

O advogado de Caio Tokarski, Pedro Walicoski, declara que o cliente é inocente e que as delações podem ser anuladas por beneficiar a empresa que continua atuando.

A defesa da Serrana segue sem se manifestar.