Mensageiro: Prefeito de Itapoá teria acertado propina de R$ 150 mil como ‘seguro-desemprego’

Prefeito é delator da Operação Mensageiro, que investiga esquema de corrupção na coleta de lixo de diversos municípios catarinenses

Foto de Fernanda Silva

Fernanda Silva Joinville

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Um dos funcionários da empresa Serrana afirmou em depoimento que o atual prefeito de Itapoá pediu valor de propina como uma espécie “seguro-desemprego”. O relato foi feito durante audiência de instrução da Operação Mensageiro realizada nesta terça-feira (30), em Joinville.

Serrana Engenharia Ltda tem contratos contestados – Foto: Divulgação/NDSerrana Engenharia Ltda tem contratos contestados – Foto: Divulgação/ND

Conforme o profissional ouvido pela Justiça, o prefeito propôs que ele e a Serrana fechassem um contrato de concessão para destinação final de resíduos, que duraria cerca de 15 anos. O gestor de Itapoá teria proposto também que ele recebesse propina ao longo da duração do contrato, proposta que não agradou a empresa.

Em vez disso, ficou acordado o pagamento de 5% do contrato durante sua gestão e, ao sair da prefeitura, o pagamento de R$ 100 mil no primeiro ano, e R$ 50 mil no segundo.

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Tanto o prefeito quanto o executivo da Serrana têm nome protegido por decisão judicial, em virtude de acordos de delação premiada.

Prefeito procurou Serrana para fechar acordos

Tanto o prefeito quanto outros réus do processo confirmaram que foi o gestor de Itapoá quem procurou o dono da Serrana, antes mesmo de assumir a Prefeitura de Itapoá, para fechar acordos que beneficiassem ambos os envolvidos.

Segundo o proprietário da Serrana em depoimento, as propinas foram pagas ao prefeito a fim de manter contratos já existentes, fazendo aditivos, renovações, assim garantindo pagamentos em dia e reajustes dentro da inflação.

Conforme o próprio gestor de Itapoá, ele recebeu ao longo dos anos cerca de R$ 460 mil da empresa Serrana. O primeiro valor recebido antes mesmo de ser eleito, de R$150 mil, foi aplicado em partes em sua campanha.

Com outros valores recebidos ao longo dos anos, ele teria comprado um imóvel. O prefeito não detalhou que tipo de imóvel seria, nem se o bem estaria localizado em Itapoá. Além disso, afirmou que usou valores em campanhas no âmbito estadual e federal em 2018.

Prefeito enfrenta processo de impeachment

Preso desde o dia 9 de dezembro do ano passado pela Operação Mensageiro, o gestor de Itapoá também está enfrentando um processo de impeachment no município.

A abertura do processo foi aprovada por unanimidade no começo de maio pelos vereadores de Itapoá. O prefeito é suspeito de receber propina para favorecer empresa de saneamento na prestação de serviços na cidade.

Preso em 9 de dezembro de 2022, na 1ª fase da investigação, o prefeito manteve seu mandato, pois pediu afastamento temporário do cargo em duas ocasiões, recebendo aprovação dos vereadores.

Assim, o vice-prefeito Jeferson Garcia (MDB), comanda o município interinamente.