Ministério Público denuncia acusado de assassinar Roseli asfixiada

Vítima teria sido morta asfixiada e depois seu corpo foi jogado em lago com uma pedra amarrada; corpo segue desaparecido

Foto de Redação ND

Redação ND Chapecó

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O promotor do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), Luís Otávio Tonial, responsável pela 2ª Promotoria de Justiça de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, ofereceu nesta sexta-feira (17), a denúncia contra o acusado pela morte da auxiliar de cozinha Roseli Fátima Stoll, de 38 anos.

RoseliA vítima queria terminar o relacionamento no dia em que foi morta.

De acordo com o promotor, consta na denúncia a prática de dois crimes: homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. As qualificadoras do homicídio são morte por asfixia, a dificuldade de defesa da vítima e o feminicídio que configura a questão da violência doméstica.

“Um crime que chocou a sociedade. Além de tirar a vida de Roseli, o autor desse crime também ocultou o seu corpo impedindo que a vítima tivesse um momento de despedida, o que aumenta o sofrimento dos familiares. É um crime bastante grave, a Polícia Civil fez um excelente trabalho de investigação e que possibilitou a chegada até o autor  e a sua prisão preventiva”, observou Tonial.

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O processo agora será encaminhado ao Poder Judiciário e será analisado por um juiz que vai verificará a existência de indícios suficientes para o recebimento da denúncia. A partir disso, inicia o processo criminal contra o acusado. O homem segue preso preventivamente no Presídio Regional de Concórdia.

Buscas pelo corpo foram suspensas

O Corpo de Bombeiros Militar encerrou nesta sexta-feira as buscas pelo corpo de Roseli, desaparecida desde o início do mês. A operação se concentrou no lago de uma usina hidrelétrica no interior do município de Alto Bela Vista, a cerca de 10 km do Centro, onde o namorado da vítima e indicou ter dispensado o corpo amarrado a uma pedra.

Foram 10 dias de buscas no lago do rio Uruguai na comunidade de Entre Rios. O ponto indicado pelo suspeito pode chegar a uma profundidade de 25 metros, equivalente a um edifício de 10 andares. Os bombeiros realizaram 15 mergulhos e vasculharam cerca de 100 km do rio durante esse período.

André Germanovix, tenente do Corpo de Bombeiros Militar, explicou que a decisão de suspender as buscas partiu após uma reunião que aconteceu nesta sexta-feira com todos os envolvidos na operação de resgate, com ciência dos familiares de Roseli.

Foram realizados protocolos de busca e varreduras com cães, mas nenhum vestígio foi encontrado – Foto: Corpo de Bombeiros/NDForam realizados protocolos de busca e varreduras com cães, mas nenhum vestígio foi encontrado – Foto: Corpo de Bombeiros/ND

Crime brutal

auxiliar de cozinha Roseli Fátima Stoll, de 38 anos, pretendia terminar o relacionamento na noite do dia 2 de dezembro, quando foi morta asfixiada com uma cinta na casa do ex-companheiro. O motivo para o término seria porque Roseli tinha o desejo de ir para o Paraná visitar seus filhos sozinha e o companheiro não concordava.

O então companheiro de Roseli confessou o crime e indicou que o corpo foi jogado em um lago amarrado a uma pedra. Segundo o delegado responsável pela investigação, Alvaro Weinert Optiz, no dia 2 de dezembro Roseli deixou seu local de trabalho, caminhou até as proximidades do hospital de Concórdia e entrou no carro do então companheiro.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento que o casal chega a casa do homem. “Ele entra na casa ascende as luzes e a mulher fica do lado de fora, o que dá a entender que, em tese, ela não foi obrigada a ir até o local”, pontua Optiz.

O crime teria ocorrido entre 21h e 22h quando gritos foram ouvidos no interior da casa. A investigação apurou, ainda, que mais ninguém entrou no local nesse período.

Roupas deixadas por Roseli permanecem no varal – Foto: Nadia Michaltchuk/NDRoupas deixadas por Roseli permanecem no varal – Foto: Nadia Michaltchuk/ND

Conforme o delegado, na manhã do dia 3 de dezembro, próximo ao meio dia, o homem retirou o corpo de Roseli enrolado em um lençol, levou até seu carro que estava na garagem e foi até Alto Bela Vista. “Há registros de que o carro passou na SC-390 e voltou cerca de 1h30 depois pelo mesmo trajeto.”

Relembre o caso

Roseli morava no bairro Nações, em Concórdia. A mulher foi vista pela última vez em um restaurante na área central, logo após sair do trabalho, por volta das 19h40 de quinta-feira (2). Familiares registraram um Boletim de Ocorrência na segunda-feira (6), pois ela não foi trabalhar e a casa não tinha sinais de arrombamento.

O ex-namorado da mulher já era investigado pela polícia, pois estava foragido e teria passado por Florianópolis (SC) e Caxias do Sul (RS). Os dois estavam juntos há cerca de sete meses e ele não aceitava o fim da relação.