Após morte de idosa em incêndio, MP pede júri popular contra casa de repouso de SC

Cômodo onde idosa foi encontrada havia sido interditado pela Vigilância Sanitária de Joinville. Acusada rebate acusações do MP

Foto de Fernanda Silva

Fernanda Silva Joinville

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O MPSC (Ministério Público) pede que duas mulheres, responsáveis por uma casa de repouso, sejam julgadas no júri popular após uma idosa morrer durante um incêndio no estabelecimento. O caso aconteceu em 2 de novembro de 2022, em Joinville, quando o fogo atingiu os fundos do imóvel. O cômodo onde a idosa foi encontrada estava interditado pela pela Vigilância Sanitária, aponta o MP.

Idosa morreu durante incêndio em lar de idosos em Joinville – Foto: Felipe Bambace/NDTVIdosa morreu durante incêndio em lar de idosos em Joinville – Foto: Felipe Bambace/NDTV

Conforme o MP, como o cômodo estava interditado, as responsáveis pela Casa de Repouso Nova Jerusalém deveriam “realocar de forma imediata os idosos dos quartos em manutenção devido ao risco iminente à integridade física e à saúde dos idosos. A instituição estava impedida, ainda, de admitir novos idosos”.

Segundo consta na instrução processual, “o local onde a vítima estava acomodada era situado na parte dos fundos da casa, possuía fiação exposta, tranca na porta pelo lado de fora e estava interditado desde o dia 20 de setembro de 2022, não podendo ser utilizado para acomodação de pessoa idosa”.

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Em contato com o Portal ND+, a proprietária da Casa de Repouso, e uma das acusadas no processo, informou que o cômodo não apresentava risco aos idosos e que havia sido interditado por conta da falta de um corrimão ao lado de um degrau. Além disso, na oportunidade, ela teria sido orientada a manter apenas um morador no cômodo, e não dois como eram feito anteriormente.

“Mas não tinha risco na estrutura, não tinha fio exposto, nada. Tenho documentos, fotos e vídeos de antes do incêndio que mostram a fiação com normalidade”, afirma a proprietária. Ela informou que as provas serão anexadas ao processo pelo advogado e que ainda está dentro do prazo para apresentar sua defesa.

Em nota, a defesa das acusadas afirma que “os fatos não ocorreram da forma descrita na denúncia”. Confira a íntegra da nota, assinada pelo advogado Leandro Gornicki Nunes:

“A defesa técnica que atua nos autos do Processo-Crime, que tramitam perante a Vara do tribunal do Júri de Joinville-SC em segredo de justiça, comunica que os fatos não ocorreram da forma descrita na denúncia, sendo que a inocência das Acusadas ficará demonstrada por meio de provas legítimas ao longo do devido processo legal”. 

Defesa Civil também esteve no local – Foto: Felipe Bambace/NDTVDefesa Civil também esteve no local – Foto: Felipe Bambace/NDTV

Idosa estava em quarto trancado, alega MP

Ainda de acordo com o MP, durante o atendimento ao incêndio, os bombeiros voluntários tiveram que abrir a porta do quarto incendiado com chutes, pois a vítima estava trancada. Ao abrirem a porta, a idosa já estava sem vida.

“Mesmo com a determinação do órgão competente, a proprietária e a responsável técnica do estabelecimento decidiram colocar a vítima naquele quarto, deixando-a isolada em um momento de surto, na noite anterior ao incêndio, não lhe dando chance de sobreviver ao incêndio”, diz denúncia

A proprietária da Casa de Repouso explica que a mulher dormia em um quarto coletivo, mas, no dia do ocorrido, havia sido colocada no cômodo pois, pois o surto apresentava risco aos colegas idosos.

Segundo a dona do estabelecimento, a porta do quarto não foi trancada, apenas fechada, e que a dificuldade para a abertura do cômodo teria ocorrido pois o corpo da idosa estaria apoiado na porta.

De acordo com a ação penal, as denunciadas, embora não quisessem a morte da vítima, teriam assumido o risco de provocar o resultado com as suas condutas, em especial a de deixar a idosa trancada em um quarto com fiação exposta.

Já a acusada alega que há erros nas informações do MP. Ela destaca que tem documentos e imagens que provam que a porta não estava trancada e que não havia fiação exposta. Por fim, a acusada alega que toma todos os devidos cuidados com a estrutura do local e com os idosos dos quais é responsável.

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