Motorista que atropelou mãe e filha em Florianópolis tem prisão decretada

Juiz que assinou decreto afirma que Diego Sales apresentava sinais de embriaguez e tentou fugir do local sem prestar socorro às vítimas; defesa do réu nega

Redação ND Florianópolis

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A Justiça de Santa Catarina decretou a prisão preventiva do motorista de 34 anos que atropelou uma família no bairro Ingleses, no Norte da Ilha de Santa Catarina, na sexta-feira (1º).

Land Rover de cor prata após causar acidenteAcidente na Rua das Gaivotas, nos Ingleses – Foto: Corpo de Bombeiros/divulgação/ND

Diego Sales estava preso desde o acidente e teve o caso julgado na noite deste sábado (2). O motorista foi autuado em flagrante pelo crime de lesão corporal em acidente de trânsito com o agravante de estar dirigindo sob influência de álcool.

O juiz Reny Baptista Neto, que decidiu pela prisão preventiva, disse que “existem indícios suficientes da autoria e materialidade”, principalmente por conta dos depoimentos dos policiais militares responsáveis pela prisão, de uma testemunha e do vídeo do portão principal do imóvel atingido.

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Na decisão, o magistrado argumenta que, pelas imagens “é possível inferir que o veículo saiu do estacionamento em alta velocidade e, em seguida, ziguezagueou pela pista e invadiu a calçada, que colidiu com o muro e a portaria do condomínio”. Baptista Neto aponta que, em cerca de 4 segundos, o carro saiu do estado de inércia e entrou na rua.

No despacho, o juiz também cita que Diego estava dirigindo em estado de embriaguez, “pois apresentava forte odor etílico, fala arrastada, olhos vermelhos, dentre outras constatações”. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.

Além disso, segundo os policiais que atenderam a ocorrência, Diego tentou fugir do local sem prestar socorro às vítimas. Outros passageiros que estavam no veículo conseguiram fugir sem serem identificados.

 O que diz a defesa de Diego Sales

Procurada pela reportagem, a defesa afirma que não há requisitos obrigatórios e autorizadores para a prisão preventiva.

Segundo o advogado Felippe de Souza Laurentino, “a irresignação é extrema com a decisão, dado máximo respeito ao nobre magistrado, porém os fundamentos utilizados para sustentar a decisão não se conciliam com os princípios e direitos democráticos garantidos a todo cidadão”, salienta Laurentino.

Ainda de acordo com o advogado, Diego não fugiu nem tentou se esquivar de sua responsabilidade como condutor do veículo.

Conforme apuração da reportagem, dentro do veículo de Diego foram encontradas taças e um cooler com gelo. O motorista precisou se “esconder” em um hotel já que populares ameaçavam linchá-lo no local.

“A fatalidade daquele dia não se tornou pior por inteligência de um funcionário do hotel que, enquanto Diego era agredido por populares, capturou-o e deu cobertura até a chegada da Policia Militar”, aponta o advogado.

Relembre o caso

Uma família caminhava na calçada do bairro Ingleses quando foi surpreendida pela Land Rover. A filha, de 15 anos, foi atingida em cheio pelo carro junto ao muro de vidro que pertence a estrutura de um prédio residencial. Ela ficou presa sob uma das rodas do veículo e teve múltiplas fraturas constatadas.

A adolescente recebeu os primeiros socorros de populares que presenciaram o acidente e de salva-vidas que se deslocaram da praia, a poucos metros do local.

Segundo o Tenente Coronel Leandro Amorim, responsável pela aeronave Águia, a jovem estava com fraturas graves que exigiram procedimentos avançados da equipe de resgate.

Junto com a vítima mais grave, estava a mãe, que teve ferimentos leves causados pelos vidros, além do pai e irmão. Eles não sofreram lesões sérias.

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