Motorista bêbado que matou jovem e fugiu é condenado a semiaberto em Florianópolis

Caso ocorreu em abril de 2016, na SC-401, próximo ao Parque Tecnológico; réu tem direito de responder um eventual recurso em liberdade

Redação ND Florianópolis

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O Tribunal do Júri da comarca de Florianópolis condenou um homem que atropelou uma jovem de 17 anos , na SC-401, por homicídio, tentativa de homicídio e omissão de socorro sob efeito de álcool, a sete anos de prisão em regime semiaberto, e mais sete meses de detenção.

Rafaela Saraiva tinha 17 anos quando foi atropelada na SC-401, em Florianópolis – Foto: Internet/ReproduçãoRafaela Saraiva tinha 17 anos quando foi atropelada na SC-401, em Florianópolis – Foto: Internet/Reprodução

O caso ocorreu em abril de 2016 e sentença foi proferida na última quinta-feira (11). O magistrado Mônani Menine Pereira presidiu a sessão e concedeu ao réu o direito de responder um eventual recurso em liberdade.

Segundo a denúncia do Ministério Público, a adolescente Rafaela Saraiva e o namorado Raphael Rosa, de 18 anos, caminhavam pelo acostamento da SC-401 na companhia de outros colegas. Próximo ao Parque Tecnológico, o motorista do Volvo invadiu o acostamento e atropelou o casal de namorados. O condutor do veículo não parou para prestar socorro.

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Ainda segundo a denúncia, o motorista voltava de uma casa noturna de Balneário Camboriú. A adolescente permaneceu hospitalizada, em coma, por 15 dias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Já o namorado passou uma noite no hospital e sobreviveu ao acidente com poucos ferimentos.

“Considerando a quantidade de pena aplicada, o regime inicial para o cumprimento deve ser o semiaberto para a pena de reclusão e o aberto para a detenção. Não há como se cogitar da possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direito em razão da violência contra a pessoa e da quantidade de pena imposta, e igualmente se mostra inviável a concessão de sursis pela quantidade de pena imposta”, diz a sentença.

Relembre o caso

Rafaela foi atropelada na madrugada do dia 17 de abril de 2016 enquanto caminhava no acostamento da rodovia com o namorado e mais dois amigos no sentido Centro-bairro, próximo ao Parque Tecnológico. O grupo foi surpreendido por um Volvo XC60, que fugiu do local.

Além da jovem, outra pessoa ficou ferida, mas foi medicada e recebeu alta. O motorista do veículo foi identificado posteriormente e foi ouvido pela delegada Giovana Depizolati. Ele confessou ter se envolvido em uma colisão, mas admitiu ter fugido por não saber ao certo o que tinha acontecido.

Como não houve flagrante, a delegada esperava ouvir Rafaela e a outra vítima, aguardar o laudo da perícia feita no veículo do suspeito e o laudo do exame de corpo de delito nas vítimas, para então concluir o inquérito e encaminhá-lo à Justiça.

“Quero visitar esse homem na cadeia”

A cozinheira Sandra Cardoso, 56 anos, mãe da vítima, contou  à época que o casal estava perto de casa. “A mãe do Raphael pediu a eles que ligassem quando terminassem de comer, mas eles preferiram voltar a pé e foram atropelados a menos de 100 metros de casa”.

Ela soube do acidente somente três horas depois, quando Rafaela já havia sido transferida do hospital Celso Ramos para o Regional de São José e depois para o hospital da Unimed, em Barreiros, São José. No impacto do acidente, Rafaela sofreu traumatismo craniano e estava com um coagulo no cérebro. O amigo do casal teve ferimentos leves, foi atendido e liberado. Raphael não ficou ferido.

Sandra Cardoso falou sobre a dor da perda da filha pouco tempo depois – Foto: Rosane Lima/NDSandra Cardoso falou sobre a dor da perda da filha pouco tempo depois – Foto: Rosane Lima/ND

Passado o choque da notícia do acidente, a atenção da família se voltou para a recuperação da jovem que havia começado a trabalhar há pouco mais de um mês em uma loja de óculos, em um shopping de São José. Mesmo num curto espaço de tempo Rafaela já ocupava o cargo de gerente.

Dia após dia, Sandra aguardava pela reação da filha. “Ela vai acordar. Ela vai voltar do coma”, acreditava. No entanto, toda a esperança que a família nutriu se desfez quando os órgãos dela pararam às 19h do dia 1º de maio. Sandra aguardava o horário de visitas para ver a filha que havia passado por uma cirurgia às 11h.

Em entrevista ao ND+ na época, diante da dor e a angústia pela impunidade de quem tirou a vida da filha caçula, Sandra afirmou: “eu quero visitar esse homem na cadeia”.

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