Mulher que matou marido com marretadas e facadas é condenada em Joinville

Anderson Leandro foi assassinado a marretadas e facadas na zona Leste de Joinville

Foto de Mariana Costa

Mariana Costa Joinville

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Anderson Leandro foi morto a marretadas e facadas no dia 5 de julho de 2022, no bairro Boa Vista, em Joinville, no Norte catarinense. Quase dois anos após o crime, sua esposa Ana Paula Vieira foi condenada a 15 anos de prisão por cometer o assassinato.

Mulher que matou marido com marretadas e facadas é condenada em JoinvilleMulher que matou marido com marretadas e facadas é condenada em Joinville – Foto: Reprodução/ND

Durante o julgamento, o promotor de Justiça Marcelo Sebastião Netto de Campos, titular da 23ª Promotoria de Justiça, afirmou que a ré havia alegado legítima defesa.

Na época do crime, em entrevista ao Grupo ND, o delegado Dirceu Silveira relatou que Ana Paula alegou que a vítima teria tentado sufocá-la com um travesseiro e, para se defender, ela fez uso de uma marreta e uma faca por várias vezes. No entanto, essa versão não foi comprovada pela investigação.

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“A tese da legítima defesa não se sustenta nesse caso, pois ela ultrapassou o limite da violência ao tirar a vida do companheiro. Quando foi atacado, estava dormindo na sala da residência”, ressaltou o promotor.

Ana Paula foi denunciada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) pelo crime de homicídio duplamente qualificado – meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, ela também respondeu pelo crime de fraude processual, que é quando se altera o local do crime para induzir o juiz ou perito ao erro.

A mulher foi condenada a 15 anos de reclusão em regime fechado, seis meses de reclusão em regime semiaberto e 24 dias multa.

Relembre o caso

Segundo o MPSC, no dia do crime, por volta das 5h30, Ana Paula tirou a vida do marido com diversos golpes de marreta e faca. Na denúncia consta que a mulher, com a repetição de golpes, atingiu regiões vitais e sensíveis do corpo da vítima. Além disso, ela atingiu golpes violentos de marreta no rosto de Anderson, o que dificultou que esboçasse alguma reação de defesa.

A denúncia ainda descreveu que, após o crime, a ré tirou o corpo da vítima do lugar, levando-o para fora da casa, e em seguida limpou o local do crime. Ana Paula ainda ficou mais de 10 horas fora de casa. Com isso, segundo o MPSC, ganhou tempo para criar uma versão dos fatos para tentar se livrar da acusação.

“Ela criou uma versão de vítima, de que era pressionada pelo então companheiro, que ele era controlador e ciumento. Toda essa versão caiu por terra com as provas dos autos, o trabalho da Polícia e com o excelente trabalho das advogadas dos assistentes de acusação, que nos municiaram com mais dados e informações sobre os fatos”, destacou o promotor de Justiça.

Corpo foi encontrado depois que o advogado da ré procurou a polícia – Vídeo: Ricardo Alves/NDTV

‘Nunca ouviram brigas’

Na época do crime, o portal ND Mais e a NDTV Record Joinville acompanharam as investigações com exclusividade. Em entrevista, o delegado Dirceu Silveira Junior afirmou que a família morava no bairro Boa Vista, na zona Leste da cidade, há cerca de 7 anos.

Segundo vizinhos, ocorreu uma festa na residência três dias antes do crime e, um dia antes do acontecido, o casal não foi mais visto. Eles contaram que nunca ouviram brigas entre a vítima e a esposa.

Na época do crime, Anderson tinha 38 anos e deixou dois filhos. Ana Paula se apresentou na delegacia, acompanhada de advogado, após o período de flagrante e confessou o crime. Ela foi presa após cinco meses, em Florianópolis, pois estava foragida da cidade do Norte do Estado.

Familiares da vítima acompanharam julgamento

Os familiares de Anderson acompanharam o julgamento do início ao fim. O promotor de Justiça Marcelo Sebastião Netto de Campos, ao começar sua fala, se comprometeu com a família a fazer o melhor para resgatar a honra da vítima.

Uma das irmãs de Anderson, Janaina Leandro, lembrou que ele era um bom filho, um bom pai e um homem trabalhador. Disse ainda que o irmão era muito brincalhão com todos e amava seus filhos.

Já Juliana Leandro, também irmã da vítima, afirmou que “para a nossa família, esse dia é importante. Hoje saiu o resultado que esperávamos por muito tempo. Esse resultado é um alívio, é respeito a memória do nosso irmão e um ponto final para essa história que machuca tanto a gente ainda.”

Conforme o Ministério Público, cabe recurso da decisão, mas não foi concedido o direito de recorrer em liberdade, pois Ana Paula permaneceu presa durante toda a instrução processual.

Assista à reportagem da época do crime

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