“Nunca vai ser suficiente”, fala irmã de Gabriella Custódio

Leonardo Natan Chaves Martins foi condenado a 12 anos de prisão; jurados desconsideraram a qualificadora de feminicídio

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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Foram mais de 10 horas de julgamento até a leitura da sentença, pouco depois das 19h30. “Infelizmente, não há condição de desfazer aquilo que foi feito, mas acredito que o resultado representará um singelo alívio à família que sofre desde julho”, disse o juiz Gustavo Aracheski em sua introdução.

Leonardo Natan Chaves Martins foi condenado a 12 anos de prisão após mais de 10 horas de julgamento – Foto: Comarca de Joinville/DivulgaçãoLeonardo Natan Chaves Martins foi condenado a 12 anos de prisão após mais de 10 horas de julgamento – Foto: Comarca de Joinville/Divulgação

Abraçados e lado a lado, os pais e a irmã de Gabriella Custódio ouviram a sentença: 12 anos de prisão em regime fechado. A qualificadora de feminicídio foi desconsiderada pelos jurados. Para Andreza Custódio, irmã de Gabriella, não considerar o feminicídio é uma dor. “É triste. É uma luta constante”, disse. No corpo de jurados eram sete homens e uma mulher. “A maior parte era homem. Eu meio que esperava que eles não fossem acolher”, complementa.

Depois de 15 meses daquele dia de julho, a família ressalta que a pena poderia ser muito maior e, ainda assim, não seria suficiente “Nunca vai ser suficiente. A minha irmã não volta mais. A Gabriella está morta, ele está vivo. Ele deveria ser privado da liberdade de viver em sociedade sempre, ele a privou de viver. Ele resolveu matar ela”, lamenta.

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Andreza diz que é um ciclo que se encerra, mas para ela o sentimento não é de algo que acabou. “Não posso dizer que acabou, isso aqui dá uma tranquilidade porque ele vai pagar 1% do que fez para ela, mas ela não volta”, fala.

A irmã criticou a postura da defesa que tentou “infantilizar” o réu. Andreza destaca que ver e ouvir Leonardo foi difícil e angustiante. “Eu tenho nojo dele. Minha vontade era levantar e rebater cada ponto que ele dizia. Queriam manchar a imagem dela, jogar a culpa para o pai, que nem está mais aqui. Foi horrível, não sei qual outra palavra usar”, diz.

As lembranças e a imagem de Gabriella, para a família, continuam as mesmas, de uma mulher risonha e que amava estar na companhia da família e dos amigos. “Pode passar todo o tempo, a imagem sempre será dela risonha, brincalhona, essa é a imagem preponderante, mas vivemos uma montanha russa de emoções. Há horas que lembramos dos bons momentos com ela e, em outros, revivemos tudo que aconteceu naquele dia. Sempre será difícil”, finaliza.

Leonardo Natan Chaves Martins foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado. Preso desde agosto de 2019, ele terá 14 meses abatidos por já ter cumprido enquanto aguardava o julgamento.

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