Oito pessoas – seis homens e duas mulheres – foram denunciadas pela morte do policial militar Marcos Alberto Burzanello, de 34 anos. O homicídio ocorreu em dezembro de 2022, em uma boate de Tangará, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A denúncia foi oferecida pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).
Soldado Marcos Burzanello morreu após tentar evitar briga em boate. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDO Promotor de Justiça Lucas Broering Correa quer que eles sejam julgados pelo crime de homicídio com quatro qualificadoras (motivo fútil, meio cruel, contra policial e mediante recurso que impossibilitou a defesa) pelo Tribunal do Júri.
Dois homens e uma mulher também foram denunciados por resistirem à prisão e agredirem dois policiais. A Justiça já aceitou a denúncia e os suspeitos agora são réus em ação penal pública.
SeguirRelembre o crime
O crime aconteceu na noite de 3 de dezembro de 2022, em frente a uma boate localizada no Centro da cidade. Os réus envolveram-se em uma briga generalizada após serem expulsos do estabelecimento. Burzanello estava de folga, mas identificou-se como policial militar para tentar acalmar os ânimos e acabou virando alvo.
Ele foi agredido com socos, chutes, pedras e garrafas de vidro em diversas partes do corpo, principalmente na cabeça. Os agressores tentaram tomar dele o revólver, e um projétil acabou atingindo sua perna esquerda, provocando uma grande perda de sangue.
O policial foi levado às pressas para o Hospital Universitário Santa Terezinha, em Joaçaba, a 40 quilômetros do local do crime. Chegou a receber atendimento, mas não resistiu e morreu, deixando a esposa, Isabela Farias, de 25 anos, e uma filha de quatro anos.
“Esse crime não pode e não vai ficar impune. Acreditamos na Justiça e queremos que os responsáveis por essa barbárie sentem no banco dos réus e sejam julgados e condenados pela sociedade da Tangará, representada pelos jurados”, diz o Promotor de Justiça Lucas Broering Correa.
Câmeras flagraram a ação dos criminosos- Foto: Divulgação/NDAs câmeras de segurança flagraram toda a ação. Os réus contribuíram de diferentes formas para a consolidação do crime. Alguns deles seguraram a vítima enquanto outros desferiram os golpes, impediram que os seguranças se aproximassem do local e lutaram pela posse do revólver.
A Polícia Militar identificou os réus durante a madrugada, em diferentes pontos da cidade. Três deles tentaram resistir à prisão e entraram em luta corporal com os agentes de segurança. Os socos e chutes desferidos por um dos réus acabou provocando lesões corporais em dois policiais. Os oito denunciados estão presos preventivamente, à disposição da Justiça.
Viúva quer justiça
“O Marcos era um cara maravilhoso, o foco da vida dele era estudo e família. Era um pai maravilhoso, os banhos da Lívia [filha do casal] ele quem dava. Sempre muito responsável com ela”, contou a viúva em entrevista exclusiva ao ND+ no início do mês de janeiro, quando a morte do policial completou um mês.
Isabela lembra que há cerca de seis meses Marcos e um parceiro de viatura receberam mérito por salvar um menino que pulou de uma ponte. “Ele sempre foi responsável com tudo e sempre que alguém precisava de ajuda ele ia. Não pensava muito para ajudar os outros”.
“Eu só queria me despedir do amor da minha vida, mas não tive essa oportunidade. Antes de morrer, ele pediu para o amigo dar um beijo nela [na filha] e dizer que foi muito feliz comigo”, lembra a viúva.
Isabela eternizou o marido em uma tatuagem. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDHistória de amor
Isabela e Marcos estavam casados há cinco anos e juntos tiveram uma filha, Lívia, hoje com 4 anos.
Os dois se conheceram em 2015, quando Isabela foi até Videira visitar uma tia que é podóloga e atendeu Marcos. Foi nesse dia que os olhares se cruzaram. Era 31 de dezembro de 2015 e naquela noite os dois participaram de um show da virada em Treze Tílias, município vizinho.
“Era para ser, o destino nos colocou no mesmo lugar. A partir daquele dia eu sabia que ele ia ser o amor da minha vida. Em 2017 me mudei definitivamente e ficamos juntos”, conta.
Na noite do crime, Burzanello saiu de casa para dar uma volta, pois estava muito feliz com a aprovação no trabalho de conclusão de curso da faculdade. Ele acabou indo no evento que o amigo trabalhava como segurança.
A última troca de mensagens com a esposa foi por volta da 1h30 da madrugada. “Ele disse: amor, tô quase indo para casa você está dormindo? A Lívia está bem? Amo vocês duas”, lembra Isabela.
Isabela guarda com carinho os momentos vividos em família. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDNo dia 20 de dezembro a filha do casal completou 4 anos e a maior dor de Isabela foi não ter o esposo, e pai de Lívia, junto.
“Ela fala do pai com muito orgulho. Diz que não queria que o papai virasse estrelinha. Ao anoitecer, sai correndo na sacada para ver a estrelinha mais brilhante, que é o pai dela. É um misto de saudade e lembranças do que foi e não poderá mais ser igual. Não é fácil lidar com o sentimento de uma criança que só queria o pai perto”, relata.
O pai de Burzanello também sente diariamente a falta do filho e tem orgulho do homem que foi. “Meu sogro diz que ele era o único amigo”, conta Isabela.
Para homenagear o esposo, Isabela fez uma tatuagem eternizando-o em sua pele. Na frase: “Heróis não morrem, viram lendas”, ela guarda com carinho os momentos vividos juntos. “Eu, como mulher, só tenho lembranças boas. Ele era um marido maravilhoso, sempre fazendo tudo por nós. Ele será o meu para sempre que não pôde ser, o amor da minha vida”.