Foi marcado para este mês de setembro o primeiro julgamento da Operação Mensageiro, investigação que apurou esquemas de corrupção na coleta de lixo e que envolveu uma empresa prestadora de serviço e diversos prefeitos catarinenses. O réu deste primeiro julgamento será o, agora, ex-prefeito de Itapoá, preso em dezembro de 2022.
Prefeitura de Canoinhas pediu rescisão de contrato com a empresa Serrana – Foto: Serrana/Divulgação/NDAlém do ex-gestor, o dono da Serrana e o “mensageiro”, como foi chamada na investigação a pessoa responsável pela entrega de propina, também serão julgados na mesma sessão. O julgamento foi marcado para a manhã do dia 28 de setembro, na 5ª Câmara Criminal do TJSC (Tribunal de Justiça).
Durante a sessão, serão ouvidas a acusação e as defesas. Posteriormente a relatora do processo, a magistrada Cinthia Bittencourt Schaefer, dá seu voto sobre o caso. Na sequência, mais dois desembargadores se posicionam. A decisão é colegiada e o resultado pode ser unânime ou por maioria.
SeguirA defesa do ex-prefeito de Itapoá afirma que “vê com serenidade o julgamento e estará presente para realizar sustentação oral”.
A Serrana Engenharia, por meio de noto, informou que todos os seus esclarecimentos e manifestações com relação aos julgamentos serão realizadas exclusivamente nos respectivos autos dos processos da Operação Mensageiro.
Relembre o envolvimento do ex-prefeito de Itapoá na Operação Mensageiro
O então prefeito de Itapoá foi preso em dezembro de 2022, suspeito de participar do esquema de corrupção na coleta de lixo. Segundo depoimentos prestados no processo, as propinas foram pagas pela Serrana ao gestor público a fim de: manter contratos já existentes, realizar aditivos, renovações, reajustes dentro da inflação e garantir os pagamentos em dia.
De acordo com testemunhas, antes mesmo de assumir a Prefeitura de Itapoá, o ex-prefeito procurou o dono da Serrana para fechar acordos que beneficiassem ambos os envolvidos.
Conforme o próprio réu, ele recebeu ao longo dos anos cerca de R$ 460 mil da empresa Serrana. O primeiro pagamento, de R$150 mil, foi realizado antes mesmo de sua eleição. Parte do dinheiro foi aplicado, inclusive, em sua campanha eleitoral.
Entre as aquisições feitas com os valores recebidos com o pagamento de propina, estaria um imóvel. Além disso, afirmou que usou valores em campanhas no âmbito estadual e federal em 2018.
Além disso, ele ainda teria solicitado à Serrana para que o acordo garantisse o recebimento de propinas mesmo após sua saída da prefeitura, algo como um “seguro-desemprego”.
Marlon foi eleito nos pleitos de 2016 e 2020 e renunciou ao mandato em julho deste ano, sete meses após sua prisão na Operação Mensageiro.