As penas dos três homens acusados da chacina em um hotel de Canasvieiras, em Florianópolis, somam 193 anos. As últimas sentenças foram anunciadas nesta terça-feira (15).
Júri acontece desde às 8h desta terça-feira na comarca da Capital – Foto: Divulgação/NDO primeiro réu a ser condenado foi Ivan Gregori Barbosa de Oliveira, a mais de 43 anos, em sessão do Tribunal do Júri na última quinta-feira (12).
Os outros dois denunciados pelos crimes não foram julgados na mesma data por terem testemunhas que consideram imprescindíveis contaminadas com Covid-19 e impedidas de participarem do julgamento.
SeguirNesta terça, Michelangelo Alves Lopes e Francisco José da Silva Neto foram julgados pelos crimes de homicídio qualificado, crimes contra a vida, furto qualificado, crimes contra o patrimônio, fraude processual, crimes contra a administração da Justiça e roubo majorado.
Alves Lopes foi condenado a 68 anos, 6 meses e 14 dias. Já Silva Neto recebeu a pena de 82 anos, 1 mês e 24 dias.
Primeiro julgamento
Além do homicídio de cinco pessoas, o Ministério Público denunciou Oliveira por outros crimes associados. O réu foi um dos dois contratados para ajudar no crime que ocorreu em julho de 2018, motivado pela cobrança de uma dívida trabalhista do proprietário do hotel — uma das vítimas, junto com mais três filhos e um sócio.
O pagamento pela sua participação seria o resultado de vultosa quantidade de dinheiro e de outros bens que seriam roubados no hotel.
Oliveira ajudou a render e imobilizar as vítimas e ficou as vigiando no subsolo do hotel, de onde o proprietário e seus três filhos — um deles autista — foram levados, um a um, para serem assassinados por asfixia nos quartos desocupados.
Além disso, ele participou ativamente no homicídio do sócio, realizado no subsolo e testemunhado por uma funcionária, que também havia sido rendida mas teve a vida poupada por não ter participação nos negócios da família e conseguiu fugir.
Acusações da promotoria
O primeiro réu julgado foi considerado culpado por cinco homicídios qualificados por motivo torpe, por ter sido praticado com asfixia e pela impossibilidade de defesa pelas vítimas, sustentou o promotor de Justiça Andrey Cunha Amorim.
Oliveira também foi condenado pelos crimes de roubo — os criminosos levaram o celular da funcionária — e o furto de dois automóveis e objetos da família assassinada.
A pena total aplicada a Oliveira foi de 43 anos e 20 dias de prisão e pagamento de 23 dias-multa. A sentença é passível de recurso, mas o réu, preso preventivamente no curso da investigação policial, não terá o direito de fazê-lo em liberdade.
Lembre o caso
Cinco pessoas foram encontradas mortas dentro do hotel Venice Beach, em Canasvieiras, no dia 5 de julho de 2018. Na ocasião, quatro eram membros da mesma família.
As vítimas foram identificadas como Paulo Gaspar Lemos (78), Katya Gaspar Lemos (50), Leandro Gaspar Lemos (44), Paulo Gaspar Lemos Junior (51) e Ricardo Lora (39).
Entre as vítimas estão (no sentido horário), Katya Gaspar Lemos, Leandro Gaspar Lemos, Paulo Gaspar Lemos e Ricardo Lora – Foto: Reprodução/FacebookNa ocasião, a Polícia Militar relatou que três homens armados invadiram o local e renderam as seis únicas pessoas que estavam no hotel, que fica na rua Dr. José Bahia Bitencourt, no Norte da Ilha.
A invasão aconteceu por volta das 16h, sendo que os criminosos permaneceram no local até por volta da meia-noite de sexta-feira, 6 de julho, pouco antes da chegada da polícia.
Membros da família respondiam a processos que envolviam questões trabalhistas e até estelionato, sendo que a maior parte dos casos foi registrada em São Paulo.