PF aponta transações atípicas de advogados e ex-governador em investigação do INSS

Embora os dados financeiros tenham sido analisados, a PF afirma que não há indícios de envolvimento direto dessas pessoas com o esquema

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Guilherme Xavier Florianópolis

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fachada de agência do INSS, que agora tem investigação sobre transações atípicas de empresários e advogadosMais de 1,2 milhões de aposentados e pensionistas denunciaram fraude no INSS – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

A Polícia Federal incluiu os nomes dos advogados Nelson Wilians, Willer Tomaz e do empresário Paulo Octávio em relatórios financeiros que listam transações bilionárias consideradas “atípicas”, no contexto da investigação sobre fraudes em descontos indevidos em aposentadorias do INSS.

Embora os dados financeiros tenham sido analisados nos relatórios, a PF afirma que não há indícios de envolvimento direto dessas pessoas com o suposto esquema, e elas não são alvos formais da operação.

PF lista transações atípicas ligadas à investigação do INSS

A Polícia Federal identificou transações realizadas por advogados e empresários em meio à apuração de um esquema de fraudes em descontos indevidos de aposentadorias do INSS.

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Entre os nomes citados nos relatórios, estão o advogado Nelson Wilians, o criminalista Willer Tomaz e o empresário Paulo Octávio. Apesar das citações, nenhum deles é formalmente investigado, conforme destacou a própria PF.

A análise faz parte de um conjunto de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) elaborados pelo Coaf. Os documentos foram acessados após o fim temporário do sigilo judicial, mas tiveram sua confidencialidade restabelecida.

Nelson Wilians e movimentações bilionárias

O escritório do advogado Nelson Wilians aparece em Relatórios de Inteligência Financeira com movimentações que somam R$ 4,6 bilhões entre julho de 2019 e julho de 2024.

Desse total, R$ 4,3 bilhões estariam relacionados a uma conta vinculada diretamente ao escritório de advocacia, segundo o próprio Wilians. O advogado nega qualquer relação dessas transações com investigações em curso.

“Os R$ 4,3 bilhões mencionados não guardam qualquer vínculo com o escândalo citado, sendo oriundos de movimentações de conta vinculada ao escritório”, disse Wilians por meio de nota.

Ele também afirma que valores pagos ao empresário Maurício Camisotti referem-se à compra de um imóvel e não têm relação com as apurações que envolvem o nome do empresário.

imagem de um dos nomes citados por transações atípicas na fraude no inssNelson Wilians, advogado que aparece na lista com transações de R$ 4,6 bilhões entre 2019 e 2024 – Foto: Nelson Wilians/@nelsonwilians/Instagram/ND

“A exposição de dados vinculados a RIFs pode gerar interpretações equivocadas”, disse Wilians em nota, criticando a divulgação das informações sem contexto.

Willer Tomaz e pagamentos a investigado

O criminalista Willer Tomaz teve movimentações de R$ 45,5 milhões identificadas entre maio e novembro de 2021. A PF também registrou um pagamento de R$ 120 mil feito por ele a Milton Salvador de Almeida Júnior, apontado como figura próxima de investigados no esquema. Tomaz nega qualquer irregularidade, afirmando que todas as suas movimentações financeiras são lícitas e declaradas.

Willer Tomaz, um dos nomes na lista das transações atípicasTomaz negou qualquer tipo de irregularidade em suas transações, reforçando que o pagamento a Milton Salvador se refere a serviços prestados antes das investigações – Foto: Reprodução/Internet/ND

Em nota, reforçou que o pagamento a Milton Salvador se refere a serviços prestados antes da investigação.

Paulo Octávio também é citado em relatórios

O empresário e ex-governador do DF Paulo Octávio também aparece nos documentos com transações de R$ 1 bilhão entre 2019 e 2021. A assessoria do empresário confirmou que ele foi sócio de Milton Salvador, mas garantiu que as movimentações não têm relação com a fraude no INSS.

Ex-governador e empresário apontado na listagem de transações atípicas relacionadas às fraudes no INSSEntre 2019 e 2021, o ex-governador do DF, Paulo Octávio, movimentou R$ 1 bilhão – Foto: @paulooctaviodf/Instagram/ND

“Não há intenção de questionar procedimentos das autoridades em uma investigação que não tem relação com as atividades das Organizações PaulOOctavio”, declarou.

A origem das transações atípicas

Os RIFs são elaborados pelo Coaf a partir de comunicações feitas por bancos e outras instituições obrigadas por lei a reportar movimentações suspeitas.

A mera inclusão em um relatório não implica irregularidade, mas pode servir de base para investigações aprofundadas. Segundo a PF, “tais comunicações não informam todas as operações, mas apenas aquelas com indícios de lavagem de dinheiro ou ilícito”.

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