Uma descoberta impressionante feita pela advogada cível e trabalhista Mylla Christie, repercutiu na internet. Ela atendeu a um caso de uma mulher que procurava pelo pai do filho dela, que a bloqueou no telefone e deu um nome falso a ela. O caso ocorreu na Bahia em setembro de 2021.
A mulher descobriu a gravidez aos dois meses de gestação, ao dar a notícia ao pai da criança, com quem ela teve relações sexuais apenas uma vez, ele a bloqueou no WhatsApp, foi quando descobriu que o nome que deu a ela era falso.
Através da chave Pix, foi possível identificar o pai da criança e pedir o teste de DNA – Foto: Reprodução/Thinkstock/cosmin4000/DivulgaçãoApesar de terem tido relações sexuais uma única vez, o casal se encontrou outras vezes, “só que a camisinha estourou”, contou a mulher que não teve a identidade revelada.
SeguirOs dois combinaram um outro encontro que nunca aconteceu. A mulher pediu que outros conhecidos tentassem contato com o pai da criança, mas ele ia bloqueando um a um que tentasse contato.
Sem a identificação, nem mesmo o nome correto do homem, a mulher não tinha como pedir na Justiça um teste de paternidade. Foi quando a advogada decidiu persistir na investigação e com o número de celular conseguiu achar a chave Pix dele, nos dados da transação a advogada teve acesso não só ao nome completo como ao CPF do “pai fujão”.
O homem fazia um trabalho temporário na cidade da mulher, ele atuava na construção de uma rodovia. Meses depois a comprovação da paternidade veio à tona por meio da justiça e o “pixpai” foi revelado graças ao “pixbaby”.
Advogada Milla Christie contou como identificou pai de filho de cliente através do pix – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução“Lembram do rolê da cliente que ficou com o cabra uma vez e quando contou que estava grávida ele bloqueou ela, e aí ela descobriu que o nome que ele deu era falso e só foi localizado por mim pela chave Pix (celular)? Pois o DNA do pixbaby saiu hoje e ele é o pixpai”, contou a advogada nas redes.
Caso inédito na justiça brasileira
A advogada contou ao Page Not Found que o caso é inédito. “Até onde sei, é um caso inédito na Justiça principalmente pelas peculiaridades do caso, em que o agora confirmado pai da criança deu um nome falso. Ela não tinha como indicar o nome para eu entrar com ação de de pensão alimentícia”, começou.
“Ela pedia para amigas entrarem em contato e, ao ser chamado pelo nome que tinha dado à cliente, ele bloqueava, inclusive aconteceu comigo. Passaram alguns meses, com esse caso sem nenhuma solução aparente”, completou a advogada.
A ideia veio como um estalo após a compra de um milho pela advogada. “Até que um dia eu fui comprar um milho em um ambulante aqui na minha rua, e, na hora de pagar, ele falou que não passava mais cartão e que só aceitava Pix, e passou a chave de celular”, relembra.
“Uma semana depois de comprar o milho, me deu um estalo de tentar fazer uma transferência para o número do telefone do suposto [na época] pai. Simulei e apareceu um nome. Pesquisei no Instagram e no Facebook, printei e mandei pra cliente, que confirmou que era ele”, finalizou.
Com os dados completos e corretos, foi fácil entrar com a ação de reconhecimento de paternidade e pensão alimentícia por parte da Justiça. “Ela registrou a criança apenas com o nome dela, agora vão retificar o registro do ‘pixbaby’ e ele vai pagar a pensão. E se ele não tivesse cadastrado o celular para receber pagamentos, essa criança provavelmente nunca teria o nome do pai no registro”, pondera.