O prefeito de Pinhalzinho, no Oeste de Santa Catarina, Mário Afonso Woitexem (PSDB), falou sobre a soltura determinada pela Justiça após deixar o Presídio de Chapecó, por volta das 19h30 da noite da quinta-feira (18).
Mário Afonso Woitexem (PSDB) diz que tem certeza de sua inocência. – Foto: Alexandre Madoglio/NDTV ChapecóEm conversa exclusiva com o repórter Alexandre Madoglio, da NDTV Chapecó, o prefeito de Pinhalzinho disse, ainda na porta do Complexo Prisional de Chapecó, sobre o que viveu nos últimos 30 dias, desde a prisão decretada na Operação Fundraising, deflagrada no dia 19 de junho deste ano.
A operação investiga suspeitas de desvio de verbas públicas em quatro municípios catarinenses. “Sou completamente inocente e isso vai ficar provado nos próximos dias. O que construímos e fizemos em Pinhalzinho vai mostrar toda a nossa boa intenção”, afirmou o prefeito.
SeguirPrefeito de Pinhalzinho diz que recebeu a denúncia apenas nesta semana
Woitexem disse que recebeu a denúncia apenas na noite de quarta-feira (17) e, então, tomou conhecimento de tudo que está sendo acusado. Porém, ressaltou que o processo é grande e envolve muitos municípios do Brasil e, por isso, corre em segredo de Justiça.
“Neste momento não posso falar do processo, sem antes consultar o meu advogado, mas posso dizer, com toda tranquilidade, que não fiz nada de errado, tenho certeza da minha inocência do que estou sendo acusado”, reafirmou.
Prefeito de Pinhalzinho comemorou a saída do Presídio de Chapecó após 30 dias – Foto: Alexandre Madoglio/NDTV ChapecóO prefeito de Pinhalzinho ressaltou que tudo será esclarecido rapidamente e comemorou a decisão da Justiça. “Em 30 dias estou deixando a prisão porque realmente sou inocente das acusações que me foram feitas e isso vai ser provado nos próximos meses”.
Sobre o período em que ficou preso, Woitexem disse que foi tratado com muito respeito e cordialidade por todos.
“Não tenho nada a reclamar dos dias que estive aqui, a não ser da minha liberdade que me foi privada e do meu cargo, do qual fui afastado. É desesperador estar fechado em uma cela de seis metros de comprimento por cinco metros de largura”, disse.
O prefeito de Pinhalzinho ainda falou da alegria em poder voltar para casa. “Fico muito feliz em poder, hoje, voltar para minha família, para minha cidade, para Pinhalzinho, que tanto amo e tanto me dediquei nesses últimos oito anos”.
Prefeito de Pinhalzinho falou pela primeira vez após sair da prisão. – Vídeo: Alexandre Madoglio/NDTV Chapecó
Prefeito de Pinhalzinho voltou para casa e foi recebido por familiares. – Vídeo: Alexandre Madoglio/NDTV Chapecó
Decisão de soltura foi determinado pela Justiça na noite da quinta-feira (18). – Vídeo: Alexandre Madoglio/NDTV Chapecó
Outros três prefeitos foram liberados da prisão
Além do prefeito de Pinhalzinho, também foram postos em liberdade a prefeita de Ipuaçu, Clori Peroza (PT), o prefeito de Cocal do Sul, Fernando de Fáveri Marcelino (MDB), e o prefeito de Ipira, Marcelo Baldissera (PL). Os quatro terão as prisões preventivas substituídas por medidas cautelares.
Os prefeitos de quatro municípios foram presos na Operação Fundraising no dia 19 de junho. – Foto: Montagem/Divulgação/NDA decisão é do desembargador Sindey Dallabrida, e determina a todos os envolvidos:
- Suspensão do exercício das funções públicas;
- Proibição de acesso e frequência às sedes das prefeituras municipais em que os supostos ilícitos foram praticados;
- Vedação, por qualquer meio, de contato entre si, com os demais denunciados e com as testemunhas arroladas pelo Ministério Público;
- Proibição de se ausentarem das comarcas em que residem sem prévia autorização judicial por período superior a três dias;
- Obrigação de comparecimento a todos os atos processuais;
- Compromisso de manter o Juízo informado a respeito de eventual mudança de endereço.
A prefeita de Ipuaçu, Clori Perozza (PT), também deixou o Complexo Prisional de Chapecó na noite da quinta-feira (18). – Vídeo: Alexandre Madoglio/NDTV Chapecó
Operação Fundraising: prefeitos são suspeitos de desvio de verbas públicas
A Operação Fundraising investiga uma suposta quadrilha, liderada por um grupo empresarial especializado em fraudar licitações para desvio de verba pública.
A polícia apurou que a quadrilha é liderada por um grupo que afirma prestar serviços de consultoria e de assessoramento para captação de recursos públicos.
Os prefeitos tiveram as prisões preventivas cumpridas na Operação Fundraising. – Foto: Gaeco/Divulgação/NDSob esse pretexto, o grupo teria direcionado licitações em municípios catarinenses com empresas que não tinham comprovação de atividade, ou seja, que poderiam nem existir.
Em português, “Fundraising” significa “Arrecadação de fundos”. É uma expressão que, em inglês, se refere a uma metodologia que visa desenvolver processos para facilitar a captação de recursos.