A Prefeitura de Florianópolis, que considera o movimento de greve da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital) um ato político, vai entrar na Justiça buscando a ilegalidade do movimento. Os trabalhadores, por sua vez, farão uma assembleia, nesta quinta-feira (10), para avaliar o movimento.
Greve da Comcap impacta regiões Sul, Leste e Central de Florianópolis – Foto: Reprodução/NDNa quarta, trabalhadores da saúde, assistência social, educação e de outros setores do município também decidiram entrar em greve. No caso da Comcap, entre diversas queixas, o Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis) aponta que a primeira proposta de data-base do município “ataca cláusulas importantes, como a garantia de emprego e a proibição das terceirizações”.
O prefeito de Florianópolis Gean Loureiro (DEM) criticou a greve da Comcap. Ele lamentou principalmente o fato de ter começado no exato dia da volta às aulas presenciais no ensino infantil e fundamental. “Está clara a medida política. Preferem continuar prejudicando a educação das crianças e deixando lixo acumular nos bairros”, disse Gean.
SeguirPara o Norte da Ilha e Continente, coleta de lixo segue normalmente, pois uma empresa contratada executa o serviço. “Nas demais regiões, estamos fazendo chamamento público para novas empresas”, completou o prefeito.
“Dias parados serão descontados”, diz secretário
O secretário municipal da Casa Civil, Everson Mendes, disse que não se trata de uma greve, mas de um ato político e ideológico. “Não tem a menor necessidade desse movimento. Eles estavam negociando há três meses na Secretaria de Administração”, comentou Mendes. O secretário afirmou que os dias parados serão descontados dos trabalhadores.
Segundo ele, o sindicato não concorda com nada do que foi conversado em mesa. “Não é momento de data-base, não é dissídio. Eles estão com salários em dia, o acordo está mantido e, mesmo assim, deflagram um movimento que, para eles, é tradicional. Um movimento paredista tradicional e ideológico. Não tem outro fundo: é político”, lamentou.
A foto é de setembro de 2021, mas o recado continua o mesmo: sindicato não quer terceirização do serviço – Foto: Redes Sociais/Reprodução/NDMendes disse que o principal motivo da greve na Comcap é a contrariedade à privatização dos serviços. “Olha o que é ter uma empresa privada. O Norte da Ilha e o Continente estarão normalmente com a sua coleta. Para a região Central, Sul e Leste, que estão sofrendo esse movimento, estamos chamando outras empresas para que, nos próximos dias, possamos nos programar para atender essas regiões”, disse Mendes.
A prefeitura não sabe o prejuízo que a nova greve da Comcap vai trazer, mas começa a calcular os danos à cidade a partir desta quinta. Segundo a Casa Civil, no primeiro dia de greve, muitos roteiros ainda foram realizados.
A estimativa da Casa Civil é que uma semana de greve pode custar aproximadamente R$ 5 milhões para a cidade. “Está custando R$ 300 mil o roteiro e estamos falando de cerca de 15 roteiros. Vamos ter que contratar uma empresa que venha para um contrato de, no mínimo, três meses”, indicou o secretário.
Histórico das últimas greves da Comcap
2021
28/09 – Após oito dias, trabalhadores encerram movimento.
21/09 – Categoria entra em greve contra a terceirização e em defesa dos postos de trabalho.
25/08 -Trabalhadores declaram estado de greve contra a terceirização e em defesa do acordo coletivo.
03/02 – Movimento de greve termina.
20/01 – Trabalhadores entraram em greve por tempo indeterminado.
2020
16 a 17/1 – Sintrasem exigia alterações do edital do concurso público lançado pela Prefeitura de Florianópolis. Correções foram realizadas e paralisação foi encerrada antes de completar 24 horas.
2019
28 a 29/11 – Paralisação pedia valorização salarial, aumento no vale-lanche, garantia de investimentos em equipamentos e avanços em cláusulas sociais, como as relacionadas a acidentes de trabalho.
26 a 27/2 – Greve por melhores condições de trabalho, realização de concurso público, escala de Carnaval e reforma do Centro de Vazamento de Resíduos Sólidos durou um dia.
2018
30/1 – Paralisação pelo pagamento de horas extras e garantia de frota mínima de 35 dos 60 caminhões.
9/2 – Paralisação durante uma manhã na véspera do Carnaval para derrubar decreto municipal que transformou a terça-feira de Carnaval de feriado em ponto facultativo.
19/2 – Paralisação de 24 horas em protesto contra a reforma da Previdência.
18/4 – Paralisação de 24 horas contra as Organizações Sociais e na luta por melhorias das condições de trabalho.
3/9 – Paralisação de 30 horas por melhores condições de trabalho e realização de concurso público para servidores efetivos.